A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, o menor nível para o período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. A população ocupada bateu recorde, em 103,1 milhões de pessoas, mesmo com a Selic em 14,25% ao ano.

O resultado surpreende porque juros tão altos costumam esfriar a economia e destruir vagas. Mas o rendimento médio do trabalhador já não acompanha o mesmo ritmo.

Ficou em R$ 3.738 no trimestre, ante R$ 3.795 no trimestre anterior, a terceira queda seguida em termos reais.

Por que o emprego resiste e a renda não

Segundo Daniel Duque, economista do FGV/Ibre, a economia reage aos juros altos em três tempos. Primeiro, a atividade mais fraca reduz a abertura de vagas.

Depois, o mercado de trabalho mais apertado ou mais folgado passa a conter os salários. Por último, a renda para de aumentar por último, no canal mais lento a reagir aos juros, e é o que está aparecendo agora nos dados.

A taxa de subutilização da força de trabalho, que soma desempregados a quem trabalha menos horas do que gostaria, também recuou, para 12,9% no trimestre, ante 14,3% no anterior.

A massa de rendimentos ainda cresce, mas em ritmo mais lento que o do emprego: alta de 3,6% em 12 meses.

Nem todo mundo vê o mesmo cenário à frente

As projeções para o restante do ano dividem os economistas. A XP prevê que o desemprego suba para 5,6% até dezembro e chegue a 6,2% em 2027, com o PIB perdendo força, de 2% neste ano para 1% no próximo.

Já o C6 Bank projeta a Selic ainda em 14% ao ano no fim de 2026. A aposta é que o Banco Central mantenha os juros elevados por mais tempo, mesmo com a prévia da inflação em queda nos últimos meses.

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A razão seria justamente o mercado de trabalho aquecido, que ainda sustenta o consumo das famílias.

O ponto em aberto

Os números de hoje mostram o emprego resistindo e a renda começando a ceder, mas não mostram qual das duas forças vai prevalecer daqui para frente.

Se a projeção da XP se confirmar, o desemprego sobe e a renda cai junto. Se o mercado de trabalho seguir aquecido como aposta o C6 Bank, a pressão sobre o Banco Central para manter os juros altos por mais tempo também continua.