A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk fechou acordo para pagar até US$ 2,6 bilhões (R$ 13,6 bilhões) pelos direitos globais de uma pílula experimental para perda de peso da chinesa Jiangsu Hengrui Pharmaceuticals. O anúncio saiu nesta terça-feira (29), em comunicado à bolsa de Hong Kong.
Do total, US$ 300 milhões (R$ 1,57 bilhão) são pagos à vista, segundo comunicado da Hengrui. O restante, até US$ 2,3 bilhões, depende de marcos de desenvolvimento, regulação e comercialização do HRS-1596. A Hengrui também recebe royalties sobre as vendas do produto.
O HRS-1596 é uma pílula semanal que atua sobre os receptores GLP-1 e GIP. De acordo com o comunicado do acordo, o remédio reduz o apetite, estimula a secreção de insulina e melhora a sensibilidade à insulina, o que ajuda a controlar peso e glicemia.
O medicamento foi aprovado na China só para começar ensaios clínicos de Fase 1, a etapa inicial de testes em humanos, tanto para controle de peso quanto para diabetes tipo 2.
A Novo Nordisk terá direitos de desenvolvimento, fabricação e comercialização do HRS-1596 em todo o mundo, exceto na China continental, em Hong Kong, em Macau e em Taiwan, territórios que continuam com a Hengrui.
As ações da Hengrui subiram cerca de 2% em Hong Kong após o anúncio.
O negócio é o segundo acordo da Novo Nordisk com um parceiro chinês para tratamentos à base de GLP-1 neste ano. A farmacêutica enfrenta a concorrência da Eli Lilly, com patentes prestes a expirar na próxima década.
Suas ações caíram mais de 70% em relação às máximas históricas, segundo a Reuters.
Corrida bilionária pelo GLP-1
A corrida pelo GLP-1 já motivou dezenas de acordos entre farmacêuticas ocidentais e empresas chinesas. Analistas estimam que o mercado global de medicamentos para emagrecimento e diabetes tipo 2 deve gerar cerca de US$ 100 bilhões em vendas anuais na próxima década.
Para o gestor de portfólio Markus Manns, da Union Investment, o acordo é positivo, mas a Novo Nordisk precisa fechar negócios maiores para mudar a percepção do mercado, disse ele à Reuters. A farmacêutica já projeta cinco remédios bilionários até 2030.
O analista Evan Seigerman, do banco BMO Capital Markets, avalia que a transação dificilmente muda o cenário competitivo no curto prazo. Para ele, o HRS-1596 pode servir como opção de pipeline de longo prazo para a farmacêutica dinamarquesa.
O que acontece agora
O que acontece agora é a espera pelo fechamento formal do acordo. Segundo comunicado das duas empresas, a transação deve ser concluída no quarto trimestre de 2026, sujeita à aprovação da lei antitruste americana Hart-Scott-Rodino e a outras condições habituais de encerramento.
A Hengrui é negociada na Bolsa de Hong Kong, num momento de ascensão do setor farmacêutico chinês de medicamentos à base de GLP-1, segundo a Reuters. No Brasil, a Anvisa aprovou nesta semana um remédio semanal que une insulina e semaglutida, da mesma classe.
A Eli Lilly, principal rival da Novo Nordisk no mercado de canetas emagrecedoras, já reduziu o preço do Mounjaro no Brasil neste ano diante da concorrência.
As vendas globais de medicamentos para emagrecimento já tiveram efeito direto na economia da Dinamarca. O país dobrou a previsão de crescimento do PIB por causa do Ozempic.





























