A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu, em 8 de setembro, consulta pública sobre o leilão da faixa de 6 GHz, base do futuro 6G no Brasil. A proposta prevê R$ 50 bilhões em investimentos e obriga as vencedoras a instalar data centers de borda.
Os data centers vão para o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste. O leilão está previsto para até 2028.
O Conselho Diretor da Anatel, presidido por Carlos Baigorri, aprovou a consulta por quatro votos a um, em votação online, em 3 de setembro. O conselheiro Alexandre Freire relatou a proposta.
A faixa vai de 6.425 MHz a 7.125 MHz, dividida em três blocos de 200 MHz e um de 100 MHz, com 14 lotes em sete áreas. Cada empresa pode arrematar só um lote de 200 MHz por área.
A consulta segue aberta até 23 de outubro.
O modelo repete o leilão do 5G de 2021, que gerou mais de R$ 47 bilhões em compromissos, assunto também presente na cobertura sobre o crescimento do investimento estrangeiro em telecomunicações no país.
Governo ficou fora da decisão
Segundo apuração da coluna de Neila Guimarães, no Metropoles, o governo federal não foi ouvido antes da votação da Anatel.
A decisão avançou sem consultar a Casa Civil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério das Comunicações.
O rito contraria o Decreto nº 9.612/2018, que prevê articulação prévia entre órgãos federais em políticas de telecomunicações.
Até a última segunda-feira (28), só o Ministério da Fazenda havia se manifestado. O órgão pediu mais tempo e estudos, já que Estados Unidos, Europa e China não têm consenso sobre o uso da faixa.
As operadoras também veem pressa no cronograma. A Conexis Brasil Digital, que representa o setor, defende que o leilão só ocorra a partir de 2030, dois anos depois da data hoje prevista.
O que muda para quem usa internet
O que muda para quem usa internet está nas obrigações de infraestrutura. A proposta exige núcleos regionais neutros e nós de borda, os edge data centers, no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste, com acesso aberto em municípios hoje sem cobertura adequada.
As vencedoras vão estender fibra óptica até essas cidades e integrar um grupo estratégico com o Ministério das Comunicações, o MDIC, as empresas, prestadoras de pequeno porte, o NIC.br, universidades e a Anatel.
O tema já é um dos raros pontos de consenso entre os presidenciáveis nesta campanha.
As vencedoras assumem ainda metas anuais de descarbonização, inclusão digital e ética corporativa, previstas no edital. A prioridade declarada da Anatel é levar internet de qualidade a regiões hoje fora do mapa da conectividade.
A conta de energia para viabilizar os data centers preocupa o setor, tema já tratado em reportagem sobre a energia como teste para data centers no país.
O que acontece agora
O que acontece agora depende do resultado da consulta pública. A Anatel prevê duas audiências públicas, em São Paulo e em Brasília, antes de fechar o edital.
Não é o primeiro leilão de espectro que a Anatel tenta acelerar. Em 2026, a agência já organizou um leilão para expandir a cobertura móvel em regiões isoladas do país.
O leilão do 6G segue previsto para até 2028, mas o atrito dentro do governo pode mudar o calendário final.





























