O petróleo internacional disparou 3% nesta semana depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, trocarem ameaças na Assembleia Geral da ONU. O Brent fechou a US$ 106,24 o barril nesta quinta-feira (24).
A escalada verbal reacende a pressão sobre os combustíveis no Brasil, que já custou ao governo R$ 6,6 bilhões em subsídios desde que a guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã começou, em fevereiro.
O petróleo já havia disparado 3% na quinta-feira (24), quando o WTI fechou a US$ 94,39, alta de 2,42%. Cerca de 20% da produção mundial passa pelo Estreito de Ormuz, rota que fica mais tensa a cada ameaça.
Como isso pesa no bolso do brasileiro?
Entre 28 de fevereiro e 12 de setembro, a gasolina comum subiu 3,98%, para R$ 6,53, e o diesel comum, 8,62%, para R$ 6,55. O diesel S10 chegou a subir 14,45%, e só o etanol ficou mais barato, com queda de 12,74%.
Para conter o repasse, o governo elevou o subsídio ao diesel de R$ 0,32 por litro, em março, para R$ 1,00, em setembro. Também reduziu em R$ 0,63 a alíquota da gasolina entre setembro e outubro.
A promessa era encerrar o subsídio se o barril se estabilizasse em US$ 80, patamar hoje distante.
"O subsídio reduz parte do impacto, mas pode não compensar toda a elevação dos custos", disse o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis de São Paulo (Sindecon-SP).
O Brasil segue dependente de diesel importado, o que limita o efeito dos subsídios sobre o preço final, segundo economista da Fundação Instituto de Administração (FIA).
O impacto chega a nove dias do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. Lula (PT) busca a reeleição tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas.
O que acontece agora
O governo abriu R$ 6,6 bilhões em crédito extraordinário para os subsídios em setembro, a maior parte, R$ 5,6 bilhões, destinada ao diesel rodoviário. Em julho, a Câmara já havia aprovado outros R$ 10 bilhões em crédito para o mesmo fim.
O valor pode não ser suficiente se a tensão entre Estados Unidos e Irã continuar pressionando o preço do barril nas próximas semanas.





























