O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) calcula os riscos de faltar ao último debate presidencial antes do 1º turno, marcado para quinta-feira (1º) na TV Globo. A aliados, ele diz não ver nisso um "prejuízo fatal" à campanha.
Segundo a CNN Brasil, o entorno do presidente admite que ele será alvo dos presentes, como já ocorreu em eleições passadas com líderes de pesquisa ausentes. A aposta petista é que candidatos da chamada 3ª via atacarão o principal opositor, Flávio Bolsonaro (PL).
O precedente que Lula já viveu
O cálculo não é inédito. Em 1989, Fernando Collor de Mello, então líder das pesquisas, não participou de nenhum debate de 1º turno e só debateu no 2º turno, contra o próprio Lula. Collor venceu a eleição.
Em 2006, o próprio Lula, candidato à reeleição e líder nas pesquisas, também optou por não comparecer aos debates de 1º turno — e foi reeleito.
Neste ciclo, o primeiro debate presidencial, promovido pela Band em 23 de agosto, já havia ocorrido com os pódios de Lula, Flávio e Zema vazios, virando troca de farpas entre os demais candidatos.
O sinal contraditório desta terça
A situação, porém, não está fechada. Durante comício em Fortaleza, Lula disse que vai "participar de um debate, de uma entrevista" nesta semana, sem citar o compromisso com a Globo entre os atos de rua que listou até sábado.
"Ele vai, simplesmente, só em Fortaleza, pela questão da logística. Tem o debate, que ele vai participar quinta-feira ainda na TV Globo", disse o senador Camilo Santana (PT), aliado de Lula, em entrevista à imprensa cearense.
A fala de Camilo contraria os indícios levantados pela CNN Brasil e pelo Broadcast Político, que apontam orientação interna para a ausência. Lula tinha até esta terça (29) para confirmar a presença à emissora.
A campanha de Lula enxergou na confirmação de Flávio uma tentativa de "pressionar" o presidente a comparecer, e de evitar que Renan Santos (Missão) seja convidado ao mesmo palco.
Editorialmente, o PT já havia condicionado a presença de Lula a um formato que permita confronto direto com Flávio, e Flávio decidiu ir ao debate mesmo que Lula não apareça.
O ponto em aberto
O modelo de debates televisivos já levou dois presidenciáveis a repetir, com décadas de distância, a mesma aposta: faltar ao 1º turno sai mais barato do que o formato parece sugerir.
Fica a pergunta que o calendário eleitoral ainda vai responder: quantas eleições mais o líder das pesquisas vai preferir a rua ao estúdio antes de as emissoras mudarem as regras do jogo?





























