A dívida bruta do governo geral chegou a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho, o equivalente a R$ 10,8 trilhões, segundo as estatísticas fiscais divulgadas pelo Banco Central em 31 de julho. É o maior patamar desde abril de 2021, quando o indicador estava em 82,6% do PIB.
O avanço foi de 0,9 ponto percentual em relação a maio, mês em que a dívida bruta estava em 81,0% do PIB. A série do Banco Central mostra o indicador saindo de 78,7% do PIB em janeiro para os atuais 81,9%, uma alta de 3,2 pontos em cinco meses. Em valores nominais, o estoque passou de R$ 10,622 trilhões em maio para R$ 10,809 trilhões em junho.
A dívida líquida do setor público, que desconta os ativos do governo, também subiu: foi de 67,9% para 68,5% do PIB, cerca de R$ 9 trilhões. O avanço foi de 0,6 ponto no mês e de 3,2 pontos no acumulado do ano.
Déficit de junho superou a expectativa do mercado
No mesmo mês, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões, resultado 17,4% pior que os R$ 47,1 bilhões de junho de 2025. O número também ficou acima do rombo de R$ 49,8 bilhões que economistas ouvidos em pesquisa da Reuters projetavam para o mês.
O resultado se dividiu entre o governo central, com déficit de R$ 47,2 bilhões, os governos estaduais e municipais, com R$ 6,6 bilhões, e as empresas estatais, com R$ 1,5 bilhão. Em 12 meses, o déficit primário acumulado chegou a R$ 157,2 bilhões, o equivalente a 1,19% do PIB.
Conta de juros pesa mais que o rombo primário
A maior pressão sobre as contas públicas veio da despesa com juros. Só em junho, os juros nominais somaram R$ 110,7 bilhões, quase o dobro dos R$ 61 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Em 12 meses, a conta alcançou R$ 1,16 trilhão, ou 8,8% do PIB, contra R$ 912,3 bilhões — 7,41% do PIB — um ano antes.
Somando o resultado primário e os juros, o déficit nominal de junho ficou em R$ 166 bilhões, ante R$ 108,1 bilhões em junho de 2025. No acumulado de 12 meses, o resultado nominal negativo chega a R$ 1,31 trilhão, o equivalente a 9,99% do PIB.
A Instituição Fiscal Independente (IFI) projeta que, mantida a trajetória atual, a relação entre dívida e PIB pode alcançar 115% em 2036.














