O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, se reúne por vídeo nesta segunda-feira (31) às 14h30 com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para retomar as negociações sobre a tarifa de 37,5% que os EUA aplicam a parte das exportações brasileiras.
A tarifa soma 37,5% sobre parte das exportações brasileiras. São 25 pontos aplicados só ao Brasil, por causa do Pix, do meio ambiente e de barreiras de mercado. Uma segunda investigação somou mais 12,5 pontos, com alegação de trabalho forçado.
O encontro é a retomada de um diálogo aberto pelos presidentes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o americano Donald Trump conversaram por telefone na sexta (21), por 1h20, tratando também de segurança pública e de outros temas bilaterais.
Segundo a Secom, a ligação e o contato entre os representantes comerciais ocorreram "em tom amistoso e cordial".
Não é a reunião da tomada de decisões. Nós vamos começar, de novo, o nosso diálogo.
A frase é de Márcio Elias Rosa, que pregou cautela ao tratar do encontro. Segundo ele, as tarifas não devem ser revertidas neste primeiro contato. A expectativa é reabrir o diálogo, não fechar acordo hoje. Ele se disse otimista com a retomada.
O que já mudou com a negociação
Parte da estratégia brasileira já mostrou resultado antes da reunião de hoje. Petróleo, café e carne bovina foram excluídos da lista de produtos taxados em rodadas anteriores de negociação.
O efeito já é mensurável. A cota extra de carne bovina liberada pelos EUA para o Brasil começa a valer nesta terça-feira (1º), e a exportação de café já disparou mais de 50% em agosto, mesmo com o preço internacional em queda.
O governo tenta repetir esse resultado nos setores que ainda ficaram de fora da lista. Calçados, madeira, açúcar e máquinas seguem taxados em 37,5%, sem previsão de exclusão.
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Cada produto retirado da lista de tarifas é, na prática, um setor inteiro da economia brasileira voltando a vender aos Estados Unidos em condição normal de concorrência.
A relação comercial entre os dois países já mostrava fricção antes de hoje. Em 29 de agosto, a JBS entrou na mira de Trump numa ofensiva contra monopólio da carne, sinal de que a disputa não se limita às tarifas de julho.
O ministério chama o encontro de hoje de "exploratório". O objetivo é abrir caminho para ampliar a lista de produtos isentos nas próximas rodadas. Até a publicação desta matéria, não havia data marcada para um novo contato entre os dois países.




























