A União Europeia suspende a partir desta quinta-feira (3) a importação de carne bovina, frango, ovos e mel do Brasil. A Comissão Europeia informou que o país não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária, exigência que passa a valer integralmente na data.
O veto foi oficializado pela Comissão Europeia em 5 de junho, publicado no Diário Oficial da UE, com base no Regulamento (UE) 2023/905, que proíbe a importação de produtos de origem animal criados com antimicrobianos usados também no tratamento de humanos, entre eles alguns antibióticos. O bloco teme que o uso indevido favoreça bactérias resistentes a medicamentos, capazes de se espalhar para pessoas. A proximidade da data em que a medida passa a valer reacendeu a repercussão nesta semana.
Por que o Brasil ficou de fora da lista
Segundo porta-voz da Comissão Europeia, o bloco não recebeu garantias de que o Brasil cumpriu a exigência sobre antimicrobianos dentro do prazo. Procurados pela reportagem, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Itamaraty não comentaram o assunto até a publicação desta matéria.
A carne bovina brasileira rendeu US$ 1,05 bilhão em vendas à UE em 2025, o equivalente a 5,86% de tudo que o país exportou do produto. A carne de frango somou US$ 763 milhões, cerca de 8% do total exportado. Juntos, os dois produtos formam a maior parte do valor afetado pela suspensão, que também atinge ovos e mel.
O que dizem os produtores
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmam que a suspensão não decorre de problema sanitário identificado na produção brasileira, mas da necessidade de comprovar os mecanismos oficiais de fiscalização exigidos pela legislação europeia. A ABPA diz que a avicultura brasileira já cumpre integralmente os requisitos da UE para a carne de frango.
Ricardo Santin, presidente da ABPA, minimizou o impacto no mercado interno. "Se por acaso fechar as exportações, você não tem um desequilíbrio de mercado", disse. Segundo ele, a entidade já articula o redirecionamento das remessas para outros compradores. "Estamos acionando os nossos clientes importadores para que coloquem a importância do Brasil para a estabilidade de preços da comunidade europeia", afirmou.
Hoje, 7% da produção brasileira de frango vai para a União Europeia — fatia que, segundo Santin, o setor pretende realocar entre os mais de 150 mercados onde o Brasil já vende o produto.
O que acontece agora
A retomada depende de cada cadeia. Para aves e mel, uma auditoria europeia que conclui nesta sexta-feira pode liberar as compras em semanas, se aprovada pelos países do bloco. Já para a carne bovina, pecuaristas já estimavam um prazo de cerca de dois anos para a Europa voltar a comprar, tempo ligado ao ciclo de vida do boi e à nova certificação sanitária.
O caso é o segundo revés do Brasil com a UE no setor de carnes em pouco mais de um mês: em agosto, pecuaristas já corriam contra o tempo para se adequar ao veto anunciado para setembro, depois que o setor buscou uma parceria com o governo para atender as normas europeias ainda em julho.


























