O Brasil deve vender 2,35 milhões de motos em 2026, alta de 6,9% sobre 2025 e o melhor resultado para o período desde 2008, segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas). O boom é puxado pelos aplicativos de entrega.

A associação também elevou a estimativa de produção para 2,1 milhões de motocicletas no ano, alta de 6% sobre 2025, fabricadas majoritariamente no Polo Industrial de Manaus.

"A motocicleta é um veículo acessível e que proporciona economia de combustível, além de ter um custo de manutenção baixo", diz Sergio Oliveira, diretor-executivo da Abraciclo. "Alguns modelos na faixa de 110 cc e 125 cc são vendidos a partir de R$ 11 mil."

Os fatores por trás do boom das motos

O setor avançou na esteira da ascensão dos aplicativos de entrega e de mobilidade, que trouxeram novas formas de trabalho para quem enfrentava barreiras no mercado formal. A baixa burocracia para financiar uma moto também pesa nessa equação.

Consórcios respondem por um terço das vendas do setor. A extinção dos chamados carros populares, hoje com modelos de entrada acima de R$ 70 mil, é apontada como outro fator. Sem opção barata de carro, parte do consumidor passou a optar pela moto.

Quem lidera o mercado de motos

A Honda lidera o mercado brasileiro de motos, com 65,6% do volume de vendas de janeiro a outubro de 2026, segundo a Fenabrave. A empresa reforçou a aposta no país com um investimento recente em Manaus.

A Yamaha é a segunda colocada, com 13,8% de participação. A chinesa Shineray soma 6%, e a brasileira Mottu, que tem parceria com a indiana TVS, aparece com 4,8% do mercado.

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As duas líderes seguem distantes das concorrentes.

O que os números mostram até agora

De janeiro a setembro deste ano, as vendas no varejo somaram 1,78 milhão de motocicletas em todo o país, recorde para o período e alta de 10,5% sobre o mesmo intervalo de 2025, segundo a Abraciclo.

O resultado consolida 2026 como o melhor ano do setor desde 2008. O mercado de motos segue na contramão de outros setores da indústria. Enquanto eles alertam para a perda de competitividade, as fabricantes de motos reforçam o investimento no país.