O líder da oposição israelense Gadi Eisenkot reuniu 67 indicações de deputados na quinta-feira (5 de novembro) para tentar formar governo e tirar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do poder. Netanyahu obteve 46 indicações, e 7 parlamentares se abstiveram. Isaac Herzog decide a seguir.

O presidente tem até quarta-feira (11 de novembro) para decidir quem recebe a indicação oficial de montar o gabinete.

Nas eleições de outubro, o bloco de Netanyahu ficou com 53 cadeiras e a oposição, com 48, das 120 da Knesset, o parlamento israelense. A diferença foi coberta pelos partidos árabes.

Eles elegeram 19 deputados, recorde histórico, e decidiram apoiar Eisenkot para fechar a maioria. São necessários 61 votos para formar governo.

Em comunicado, a Lista Unida (principal partido árabe de Israel) afirmou que a decisão "atende à demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu". O apoio dos partidos árabes foi o fator que faltava à oposição desde que a eleição terminou sem maioria clara.

Herzog tem até quarta-feira (11 de novembro) para decidir a quem entrega a indicação oficial. Quem for escolhido ganha 28 dias para fechar a coalizão, com possível prorrogação de 14 dias. Sem acordo nesse prazo, Israel vai a novas eleições.

Como fica a crise com o Brasil

A relação entre Brasil e Israel piorou depois que Lula comparou as mortes em Gaza ao Holocausto e acusou o país de genocídio na ONU.

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Israel retaliou declarando o presidente brasileiro persona non grata e rebaixando o nível diplomático com o Brasil, em agosto de 2025. Em resposta, o governo brasileiro retirou o embaixador Frederico Meyer de Tel Aviv.

Em 26 de outubro, o chanceler israelense Gideon Sa'ar voltou a criticar Lula publicamente pelas declarações sobre Gaza. O atrito já havia aparecido quando Netanyahu chamou o Brasil de "pequeno país", dias antes da eleição brasileira de outubro.

"O Brasil não tem problema com Israel, o Brasil tem problema com o Netanyahu. A hora que Netanyahu não for mais governo, não haverá problema nenhum entre Brasil e Israel", disse Lula.

A fala foi dita meses antes da votação desta semana, e faz da disputa pelo governo israelense um termômetro direto para a diplomacia brasileira. Se Eisenkot formar governo, o episódio testa se a promessa do presidente se confirma na prática.

O que acontece agora

Herzog decide até quarta-feira (11 de novembro) quem recebe a indicação para montar o governo. Se Eisenkot for escolhido e conseguir fechar a coalizão dentro do prazo, Netanyahu deixa o cargo após mais de um ano à frente do país.

A indefinição vem desde que a eleição israelense terminou sem maioria clara, no fim de outubro.

Falhar em formar coalizão no prazo de 28 dias, mais a prorrogação de 14, leva Israel a uma nova eleição, a segunda em menos de dois meses.