Drones russos atacaram pelo menos uma dúzia de navios mercantes no Mar Negro nas últimas semanas, matando ou deixando desaparecidos ao menos 30 marinheiros, segundo a Ucrânia e os governos da Romênia e da Bulgária, países banhados pelo mar e membros da Otan.

A Rússia combina drones marítimos e aéreos nos ataques, incluindo modelos a jato mais difíceis de interceptar. A ofensiva busca sufocar o comércio ucraniano, que depende do Mar Negro para exportar quase toda a produção de grãos do país.

"Transformando o Mar Negro em uma zona de perigo para a navegação civil", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, sobre o aumento dos ataques.

O caso mais recente ilustra o risco perto de território da Otan. O porta-contêineres saiu de Haifa com 421 contêineres rumo a Constanța, na Romênia. O navio foi atingido por três drones navais em 28 de outubro e afundou na zona econômica exclusiva da Bulgária.

A leste do Cabo Kaliakra, os 18 tripulantes foram retirados em segurança, sem feridos.

No total, ao menos 30 marinheiros foram mortos ou estão desaparecidos na onda de ataques, segundo serviços de rastreamento marítimo e os governos da Romênia e da Bulgária.

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A sequência começou no início de outubro, quando o navio turco Alfa Watan foi atingido por drones rumo ao porto romeno de Sulina. Em setembro, a TV Sim Brasil já havia noticiado que um ataque russo matou o capitão de um cargueiro em Odessa.

Com os portos do Mar Negro sob ataque, a Ucrânia tentou redirecionar cargas para o rio Danúbio. A rota margeia a fronteira com a Romênia. Mas os drones russos passaram a seguir também essas rotas, e as exportações de trigo caíram pela metade em setembro.

O país exportou 1,09 milhão de toneladas de trigo no mês, metade das 2,05 milhões registradas um ano antes, segundo dados do governo ucraniano.

O que acontece agora

A Otan já reforça a presença no Mar Negro depois da onda de ataques. A aliança anunciou, em 20 de outubro, o envio de meios adicionais à região, e a Romênia abateu dois drones russos sobre suas águas territoriais.

Negociações para um cessar-fogo que preserve o escoamento de grãos e petróleo no Mar Negro seguem em curso, mas sem data para sair do papel.

Como a guerra chega ao preço do pão no Brasil

O bloqueio pesa também no Brasil. O país deve importar 7,1 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27, maior volume desde 2006/07, segundo a Conab, porque a quebra da safra interna coincide com a queda nas exportações ucranianas.

Preço mais alto do trigo importado tende a pressionar o custo do pão, do macarrão e da farinha nas gôndolas brasileiras. Em agosto, a TV Sim Brasil mostrou que o trigo chegou ao maior preço em três anos.

A mesma guerra também abriu espaço para o agronegócio brasileiro ocupar parte do mercado que a Ucrânia perdeu, como mostrou outra reportagem da cobertura da TV Sim Brasil sobre grãos.