Lula usou o gesto da letra "L" para vencer Flávio Bolsonaro em 25 de outubro, e o símbolo virou inspiração da esquerda em cinco países. Na França, apoiadores de Mélenchon adaptaram o gesto de Lula para a letra "M", mas a comparação tem limites.

Na Espanha, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau pediu o gesto a militantes em Madri. O presidente Pedro Sánchez repetiu o "L" e disse que "se o Brasil conseguiu, a Espanha também pode".

O país tem eleições gerais no domingo (29 de novembro), primeiro teste da estratégia fora do Brasil. O episódio reforçou o gesto que já havia virado símbolo da esquerda fora do Brasil.

No México, a presidente Claudia Sheinbaum repetiu o gesto em coletiva de imprensa e chamou a vitória de Lula de "um sopro de ar fresco" para a região. Na Argentina, peronistas batizaram sua rede de mobilização de "Exército do Peronismo".

O nome é referência direta ao "Exército do Lula", que reuniu mais de 10 milhões de apoiadores pelo WhatsApp antes do segundo turno. Na França, mais de 40 políticos já tinham assinado um manifesto contra Flávio Bolsonaro antes do segundo turno.

Agora, o deputado Antoine Léaument resume o otimismo da militância de Mélenchon: "Vimos o que aconteceu no Brasil e, não se preocupem, vamos aplicar um método que funciona."

Por que o paralelo com Mélenchon tem limites

O paralelo esbarra numa diferença de origem: Lula é político de centro-esquerda testado em três mandatos como presidente. Mélenchon nunca ocupou o Executivo e defende uma ruptura mais radical na economia e na Constituição francesa.

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Analistas franceses apontam que falta a Mélenchon a habilidade que Lula teve de manter unida uma coalizão que vai da esquerda ao centro. A professora Silvia Capanema, da Sorbonne Paris Nord, avalia que o modelo brasileiro não pode ser replicado diretamente na França.

O gesto funciona como símbolo de mobilização, mas não resolve a distância entre um líder já eleito quatro vezes e um candidato que ainda precisa provar que pode governar.

A ligação entre os dois políticos não é recente. Mélenchon visitou Lula em Curitiba em 5 de setembro de 2019, durante a prisão do petista, iniciada em 7 de abril de 2018.

Disse então: "Conheci o Lula sindicalista e o encontrei após 500 dias de prisão com a mesma força de caráter. Além de ser um político, é um ser humano."

Sobre o ex-juiz Sergio Moro, afirmou que ele "condenou Lula sem provas e depois se vendeu como um ministro de um governo de ultradireita".

O cenário eleitoral francês ainda favorece a extrema direita. Pesquisas mostram Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, na liderança para a eleição de abril de 2027, com Mélenchon e o também esquerdista Raphaël Glucksmann disputando a segunda posição.

Glucksmann classificou a vitória de Lula como "uma lição maravilhosa: na política, nada é fatalidade" e citou a derrota do sérvio Aleksandar Vučić como outro exemplo de resistência democrática.

Mélenchon, por sua vez, disse: "Viva Lula, viva o Brasil da dignidade", e afirmou que o petista "derrotou a extrema-direita". A declaração veio em meio a protestos violentos na França, que o governo de Macron e Le Pen atribuem à esquerda.

O que acontece agora

A eleição geral da Espanha, no domingo (29 de novembro), é o próximo teste da estratégia. Depois vem a disputa presidencial francesa de abril de 2027, quando Le Pen tentará evitar nova derrota e Mélenchon buscará repetir o resultado de Lula.