O Brasil transfere a presidência da conferência do clima da ONU à Turquia na segunda-feira (9 de novembro), na abertura da COP31, em Antália. O país comandava o processo desde a COP30, em Belém, e chega à transição com dois roteiros climáticos.

A COP é a sigla de "Conferência das Partes", reunião da ONU ligada à Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima, adotada na Rio-92. Nela, quase 200 países negociam metas climáticas, reunidos em blocos como o G77+China e o Grupo Basic, do qual o Brasil participa.

A COP31 é sediada e presidida pela Turquia, sob o ministro Murat Kurum. As negociações, porém, ficam com a Austrália: o ministro Chris Bowen tem autoridade exclusiva sobre elas até o fim do encontro, em 20 de novembro.

O desenho inédito nasceu de um impasse resolvido ainda na COP30.

"A colaboração entre as presidências da COP é essencial para transformar ambição em entrega e preservar a confiança no multilateralismo", disse André Corrêa do Lago, diplomata brasileiro que presidiu a COP30.

Segundo o site oficial da presidência brasileira, as duas equipes já coordenam três roteiros conjuntos para 2026: o fim dos combustíveis fósseis, o fim do desmatamento até 2030 e a mobilização de US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035.

O que os Mapas do Caminho propõem

Os Mapas do Caminho reúnem diretrizes voluntárias para orientar a transição energética mundial e o combate ao desmatamento, sem reabrir acordos já fechados em negociações anteriores. A proposta de energia teve apoio de cerca de 80 países ainda na COP30.

O compromisso ganhou corpo um dia antes: o governo aprovou o Plano Nacional de Transição Energética e o mapa contra o desmatamento na sexta-feira (6 de novembro), em reunião do Conselho Nacional de Política Energética.

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Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e hoje deputada federal, defendeu desde junho o lançamento do mapa antes da COP31 e convenceu Lula a apoiá-lo. Ela viaja a Antália em missão oficial da Câmara dos Deputados.

Como aposta nacional na transição, a Petrobras, que teve lucro recorde no 2º trimestre deste ano, projeta investir US$ 13 bilhões em energias de baixo carbono até 2030, com meta de zerar emissões líquidas até 2050.

Para o PNUD, os mapas "transformam consensos existentes em ação". A WWF-Brasil destacou a matriz renovável brasileira como oportunidade de gerar emprego e renda.

"Acabaram as desculpas. Cada país pode e deve fazer seu diagnóstico para se situar nesse mapa e começar a lição de casa já", disse a pesquisadora Stela Herschmann, do Observatório do Clima.

O Greenpeace Brasil considerou o mapa florestal credível, mas cobrou acompanhamento que garanta participação efetiva de povos indígenas e comunidades tradicionais na implementação.

Nem tudo avançou: em Belém, não houve acordo formal sobre combustíveis fósseis.

O tema volta à mesa em Antália, ao lado do financiamento para adaptação climática e dos recursos para ilhas do Pacífico ameaçadas pela elevação do nível do mar.

O que acontece agora

Lula participa da cúpula de líderes da COP31 nos dias 11 e 12 de novembro, quando deve se encontrar com Marina Silva e outras delegações brasileiras. A conferência segue até sexta-feira (20 de novembro), quando termina oficialmente.

Negociadores tentam fechar, em Antália, a revisão das metas de corte de emissões até 2035. Mesmo que todos cumpram as metas atuais, cientistas ligados à UNFCCC projetam aquecimento entre 2,3°C e 2,5°C neste século, distante do limite de 1,5°C do Acordo de Paris.