Os democratas conquistaram a maioria nas duas Casas do Congresso dos EUA nas eleições de meio de mandato da terça-feira (3 de novembro), com 54 cadeiras no Senado e 254 na Câmara. O resultado fecha o pior ano do populismo de direita no mundo.
A lista de reveses é longa.
Em abril, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán perdeu o poder depois de mais de uma década no comando do país. Pouco antes, a italiana Giorgia Meloni havia sido derrotada em um plebiscito importante.
Em outubro, dois presidenciáveis de direita afundaram no mesmo mês: Flávio Bolsonaro, no Brasil, e Aleksandar Vucic, na Sérvia. O Reform UK, de Nigel Farage, que chegou a 31% das intenções de voto em 2025, perdeu dez pontos percentuais desde então.
Por que o populismo perdeu força em 2026?
O populismo perdeu força porque os líderes de direita esqueceram a metade econômica da fórmula que os levou ao poder. A inflação alta tornou o não intervencionismo de Trump um obstáculo eleitoral que antes passava despercebido.
Segundo a análise do Valor, fora da simpatia por tarifas e do embate contra o Obamacare, Donald Trump pouco se distingue de um republicano liberal tradicional.
O desgaste ficou pessoal. Nos últimos 12 meses, enquanto os consumidores reclamavam do custo de vida, Trump e seus familiares lucraram mais de US$ 1 bilhão antes de impostos, parte dele em moedas digitais.
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Quase metade dos eleitores republicanos de 2024 foi às urnas nas midterms citando corrupção, uso do cargo em benefício próprio e conflitos de interesse na Casa Branca como preocupação — queixa que não pesava quando a inflação estava sob controle.
Por que Lula escapou da conta que derrubou outros
Lula escapou da conta da inflação porque o Brasil teve a menor alta de preços pré-eleitoral desde o Plano Real, segundo o Brasil247. O IPCA acumulado entre janeiro de 2023 e agosto de 2026 ficou em 17,9%.
Lula também sancionou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, em vigor desde 2026, que tirou cerca de 15 milhões de brasileiros da cobrança do imposto.
A medida tem custo. A perda de arrecadação passa de R$ 28 bilhões neste ano, compensada por tributação mínima sobre quem ganha mais de R$ 600 mil anuais e por taxação de dividendos remetidos ao exterior.
A folga não foi suficiente para dar a Lula uma aprovação folgada. Pesquisas de opinião mediam a avaliação do governo entre 44% e 47%. Mesmo perto do empate, foi o bastante para o presidente sobreviver onde Trump, Orbán e Vucic não sobreviveram.
No Brasil, a derrota de outubro também teve nome. Flávio Bolsonaro chegou a liderar pesquisas no 2º turno antes de perder a eleição presidencial para Lula.
O resultado americano chega a um Brasil que já apostava parte da conversa eleitoral no desfecho das midterms. Antes da votação, analistas apontavam que uma vitória democrata poderia facilitar a revisão das tarifas impostas por Trump às exportações brasileiras.
O que acontece agora
Com o controle das duas Casas, os democratas ganham poder para abrir investigações sobre os negócios da família Trump. O Congresso também pode travar parte da agenda econômica do governo até o fim do mandato, em janeiro de 2029.
Parte da derrota republicana já é atribuída a erros de estratégia. Candidatos escolhidos pessoalmente por Trump perderam em quatro estados que o partido disputava para ampliar a maioria.






























