O governo da Itália confirmou na sexta-feira (6 de novembro) que reconheceu a cidadania de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e dos irmãos Carlos e Eduardo em 58 dias, em janeiro de 2023. A maioria dos descendentes de italianos espera até dez anos no Brasil.

Segundo o governo italiano, os três irmãos apresentaram a documentação na embaixada em Brasília em 8 de novembro de 2022, dias depois de Jair Bolsonaro perder o 2º turno daquele ano. A cidadania foi reconhecida em 5 de janeiro de 2023.

Em debate no Parlamento italiano na sexta-feira (6 de novembro), a subsecretária de Relações com o Parlamento, Matilde Siracusano, do partido Força Itália, defendeu o processo.

"A cidadania italiana foi reconhecida aos três irmãos Bolsonaro em 5 de janeiro de 2023. A documentação apresentada resultava completa e conforme às disposições então aplicáveis", disse Siracusano.

O que acontece agora

O deputado de oposição Angelo Bonelli pediu a investigação sobre o caso ainda em outubro e agora anuncia que vai formalizar uma denúncia à Justiça italiana.

Bonelli alega "favorecimento processual e pressão política" no processo dos Bolsonaro, mas ainda não deu prazo para protocolar a ação nem citou qual instância vai acionar.

O caso italiano corre em paralelo às consequências da saída de Flávio do Brasil. O senador deixou o país rumo aos Estados Unidos descumprindo ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que havia determinado a entrega do passaporte brasileiro.

Dias antes, ele usou o passaporte italiano para sair pela Argentina.

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Por que o prazo dos Bolsonaro é incomum

A diferença de ritmo chama atenção porque a Itália aprovou em 2025 uma lei que restringiu o direito à cidadania por descendência para quem nasce fora do território italiano, tornando o processo ainda mais seletivo para quem pede hoje.

Flávio obteve o passaporte italiano em 8 de novembro de 2023; Carlos e Eduardo receberam os deles entre abril e junho de 2024. Foi esse passaporte que permitiu a Flávio deixar o Brasil no mês passado.

O governo italiano nega que o processo tenha fugido às regras. A oposição no Parlamento mantém a cobrança por explicações, e a denúncia anunciada por Bonelli deve levar o caso à Justiça da Itália.