Uma sequência de ameaças de bomba contra aviões comerciais colocou aeroportos e forças de segurança da Europa em alerta nesta semana. Mais de 30 voos foram afetados desde segunda-feira (2 de novembro), com pousos de emergência e caças militares escoltando aeronaves.

Até agora, nenhuma inspeção identificou explosivos. Novos alertas foram registrados na sexta-feira (6 de novembro), incluindo quatro aeronaves que sobrevoavam o território francês.

Um dos casos de maior repercussão envolveu um Airbus A320 da Aer Lingus, que viajava de Dublin para Roma. Após a ameaça, a aeronave foi interceptada por caças franceses e desviada para a base militar de Évreux, na França.

Na Itália, um avião da Finnair recebeu escolta militar. Na Bulgária, três aeronaves da Ryanair, vindas de Madri, Copenhague e Londres, também foram acompanhadas por caças até o pouso; uma delas foi redirecionada para Plovdiv.

Quem pode estar por trás das ameaças

Nenhum governo revelou quem seria responsável, e nenhuma reivindicação foi confirmada. Para o especialista em segurança aeronáutica Eric Schouten, do grupo Dyami, o episódio tem características de um "ataque híbrido" coordenado.

Quando se trata de uma situação como essa ou mesmo de outros ataques de sabotagem, é realmente difícil provar que há um determinado país por trás disso. Mas isso se encaixa no modus operandi.

disse Schouten.

Dinamarca, Polônia e Romênia, atingidas pelas interrupções, já haviam acusado a Rússia de ataques híbridos antes.

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A Alemanha culpou Moscou por um ataque em agosto no aeroporto de Leipzig, e o Reino Unido associou o Irã a uma suposta conspiração contra uma base aérea dos EUA.

Rússia e Irã negam as acusações. O governo britânico chamou a onda desta semana de "boato malicioso", um tom mais cauteloso que o de outros países europeus.

O episódio ocorre em meio a uma escalada de desconfiança: em setembro, o presidente francês Emmanuel Macron já alertava que a Rússia escalava uma "guerra híbrida" contra a Europa.

Em outubro, a inteligência alemã avaliou que o país corre risco de conflito direto com Moscou, e semanas antes drones haviam atingido uma refinaria em Moscou, no sentido oposto do confronto.

O ponto em aberto

As autoridades europeias já classificam o episódio como possível ataque híbrido, mas nenhuma investigação chegou a um responsável confirmado até a publicação desta matéria.

Ataques desse tipo costumam ser baratos de executar, fáceis de negar e não provocam resposta armada, o que torna difícil saber se a onda desta semana vai parar nos próximos dias ou se repetir, como já aconteceu em agosto, em setembro e agora em novembro.