Outubro de 2026 foi o mês de outubro mais quente já registrado no mundo, com temperatura média 1,75°C acima dos níveis pré-industriais, informou o Copernicus, serviço climático da União Europeia, na sexta-feira (6 de novembro). É o 3º mês seguido acima de 1,5°C.
O registro marca o terceiro mês consecutivo com aquecimento superior ao limite do Acordo de Paris. Segundo o Copernicus, 2026 caminha para ser o 2º ano mais quente da história, atrás apenas de 2024.
Os modelos do observatório, baseados no conjunto de dados ERA5, apontam como "virtualmente certo", com 99% de probabilidade, que a média anual de 2026 supere 1,5°C, numa faixa entre 1,56°C e 1,61°C.
O que diz a cientista do Copernicus
A coordenadora do ECMWF (Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo), Samantha Burgess, atribuiu o recorde à combinação entre o aquecimento humano e o El Niño em curso.
Outubro manteve o padrão de aquecimento notável. Um El Niño excepcionalmente forte está adicionando calor em um clima já aquecido pela atividade humana.
Burgess destacou ainda que a média de quatro anos, entre 2023 e 2026, também deve superar 1,5°C. Para ela, isso comprova que o período de aquecimento se tornou sustentado.
Os oceanos também bateram recorde.
A temperatura média da superfície do mar fora das regiões polares atingiu 20,95°C em outubro. No Pacífico, a região monitorada para o El Niño registrou aquecimento de 3,21°C acima da média histórica.
Publicidade
O que o El Niño está fazendo no Brasil
No Brasil, o Painel El Niño do Inmet, do Inpe e da ANA mediu em outubro uma anomalia de +2,47°C na região do Pacífico usada para monitorar o fenômeno, o maior valor do mês em toda a série histórica.
O boletim oficial do governo federal, de 1º de outubro, projeta 95% de chance de o El Niño seguir "muito forte" até dezembro. O padrão típico divide o país: seca e risco de incêndio no centro-norte, chuva e cheias no Sul.
O Nordeste tem 16% do território em seca grave, o quadro mais severo do país. Ao todo, 221 municípios brasileiros estão em seca severa ou extrema, e outros 928 seguem sob alerta de risco de fogo até dezembro.
O El Niño já havia elevado o risco de seca e incêndio no país em setembro, e o Amazonas chegou a declarar emergência em 36 cidades por queimadas em outubro.
O que acontece agora
Os dados do Copernicus foram divulgados às vésperas da abertura da COP31, em Antália, na Turquia. O presidente Lula viaja ao país para participar da conferência, na primeira agenda internacional após a reeleição.
O Cemaden já havia projetado em agosto que o Brasil poderia ter até 9 ondas de calor até dezembro. A previsão para o trimestre mantém chuva acima do normal no Sul do país.






























