A goiana Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, tomou posse na quarta-feira (4 de novembro), no Palácio Itamaraty, em Brasília, como a primeira quilombola aprovada no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), do Ministério das Relações Exteriores.

Integrante da comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia, no nordeste de Goiás, Helen ocupou a única vaga reservada a candidatos quilombolas no processo seletivo de 2026 e integra a nova turma de 60 diplomatas do Itamaraty.

Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 2025, ela estudou sozinha, sem acesso a cursos preparatórios na zona rural onde morava, e aprofundou os idiomas por conta própria.

"Grande dia!", escreveu Helen em uma publicação nas redes sociais, horas depois da cerimônia.

A nova turma do Instituto Rio Branco tem a maior participação proporcional feminina da história do concurso, com 45% de mulheres. Entre os 60 aprovados há ainda 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência e duas pessoas indígenas, além de Helen.

A ministra das Relações Exteriores substituta, Maria Laura da Rocha, esteve na cerimônia e destacou a importância da presença de grupos sub-representados na diplomacia brasileira.

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O que diz a lei que criou a vaga para quilombolas

A vaga de Helen existe por causa da Lei 15.142/2025, que reserva 30% das vagas em concursos públicos federais para pretos, pardos, indígenas e quilombolas. Antes, a reserva cobria só pretos e pardos, sem cota própria para indígenas e quilombolas.

Em outra área do serviço público, o MPF já sugeriu aumento de vagas para cotas raciais no concurso do INSS. E o STF decidiu, por 3 votos a 2, barrar a exigência de renda em cota racial, na terça-feira (3 de novembro).

O que acontece agora

O Itamaraty ainda não divulgou o edital do próximo Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. A turma de Helen, a 2026-2028, inicia agora a formação no Instituto Rio Branco antes de assumir postos no Brasil e no exterior.