As bolsas europeias operaram em queda na manhã de sexta-feira (6 de novembro), após uma liquidação global de ações de tecnologia derrubar os mercados de Nova York na véspera e os da Ásia na mesma manhã. O Stoxx 600 caía 0,99%, a 648,37 pontos.

A onda foi provocada pela queda de 5,52% do Nasdaq na véspera, que eliminou quase US$ 3 trilhões em valor de mercado do S&P 500. Investidores temem maior regulação da inteligência artificial após a vitória democrata no Congresso dos EUA.

No setor europeu, as perdas se concentraram em chips: a francesa Soitec recuava 16,7%, a alemã Infineon caía 8,5% e a holandesa ASML cedia 6,6%. Mídia, saúde e varejo também recuavam mais de 2%.

No Brasil, o dólar subia a R$ 5,50 e os juros futuros abriam em alta em toda a curva. O Ibovespa, perto dos 166 mil pontos, oscilava entre perdas e ganhos à espera do payroll dos EUA.

Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a chance de o Federal Reserve elevar juros na reunião de dezembro subiu para 71%. Juros mais altos nos EUA tendem a puxar capital para fora de mercados emergentes como o Brasil.

Um dia antes, o Banco da Inglaterra (BoE) havia elevado sua taxa básica em 25 pontos-base, para 4%, primeiro aumento desde 2023, em meio à aceleração da inflação no Reino Unido.

Por que o payroll de hoje pesa tanto no Brasil

O payroll mede a criação de empregos nos Estados Unidos e orienta as decisões de juros do Federal Reserve (Fed), que reverberam direto no dólar e nos juros futuros negociados no Brasil, como mostrou o mesmo mecanismo em setembro.

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Em setembro, o mesmo relatório já tinha mexido com o dólar e a Selic no Brasil, em um padrão que se repete a cada divulgação.

A queda de hoje tem fio condutor com a de cinco dias atrás: na semana passada, as ações da Alphabet caíram 13% na bolsa por temores sobre os gastos em IA, movimento que se repete agora em escala maior.

O dólar já vinha em alta desde o fim de outubro: na quinta-feira (29 de outubro), ele tinha subido a R$ 5,36 em meio a cobranças por clareza fiscal, e a pressão externa de hoje se soma a esse cenário interno.

O que acontece agora

Investidores aguardam a divulgação do payroll de outubro nos Estados Unidos, esperada ainda na sexta-feira (6 de novembro).

Depois vem a decisão do Fed sobre juros, na reunião de dezembro. Até lá, o Ibovespa, o dólar e os juros futuros no Brasil devem seguir reagindo a cada novo dado.