O chanceler Mauro Vieira se reúne com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na segunda-feira (9 de novembro) e na terça-feira (10 de novembro), em Paris. É o primeiro encontro oficial entre os dois desde a reeleição do presidente Lula.

O encontro acontece à margem da reunião de chanceleres do G7. Dele deve sair a decisão brasileira sobre o aval ao embaixador indicado pelos Estados Unidos.

O nome em jogo é o de Daniel Perez, presidente da Câmara estadual da Flórida. Washington o indicou em junho de 2024, e o Senado americano aprovou a indicação em agosto daquele ano, por 51 votos a 47.

Mesmo assim, o Brasil está sem embaixador dos EUA confirmado desde janeiro de 2025, porque falta o agrément, a autorização formal do país anfitrião. Segundo o Itamaraty, não há impedimento legal para a nomeação de Perez.

A pauta prioritária do encontro é a crise dos vistos. O governo brasileiro trata o episódio como sinal concreto de mudança no ambiente diplomático com Washington.

Em agosto de 2025, o Departamento de Estado dos EUA revogou os privilégios de visto de múltipla entrada da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Rubio justificou a medida citando reciprocidade, associando-a à decisão pendente do Brasil sobre o agrément de Perez.

O que está em jogo na crise dos vistos

O imbróglio soma duas pendências que se travaram uma na outra: o visto de Viotti em Washington e o agrément de Perez em Brasília.

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O Palácio do Planalto via como problemático liberar a indicação enquanto Donald Trump questionava o resultado da eleição brasileira. O governo havia suspendido autorizações de agrément até o fim do 2º turno.

Com a eleição decidida e a reeleição de Lula confirmada, as duas pastas chegam a Paris sem o obstáculo eleitoral que as travava. Hoje, quem responde pelos EUA no Brasil é o encarregado de negócios Gabriel Escobar, na ausência de um embaixador titular.

O que acontece agora

A reunião bilateral acontece dentro dos dois dias de encontro ministerial do G7, na segunda-feira (9 de novembro) e na terça-feira (10 de novembro), no Quai d'Orsay, sede da diplomacia francesa. O Brasil participa do G7 como convidado.

O G7 também discute em Paris a pressão sobre a Ucrânia para um acordo rápido e a reabertura do Estreito de Hormuz, disputa que Rubio já vinha acompanhando. A Ucrânia tem sessão própria na terça-feira (10 de novembro), último dia do encontro.

O encontro marca a primeira aproximação formal entre as diplomacias brasileira e americana desde que Vieira classificou como ofensivas declarações de Rubio sobre o Brasil. Antes disso, o chanceler já havia dito que os EUA tomaram parte na eleição brasileira.

O desenrolar da crise dos vistos já teve capítulos tensos. Em agosto, o Brasil chamou de falsas as justificativas usadas pelos EUA para revogar o visto da embaixadora Viotti, episódio que abriu a disputa que Vieira e Rubio tentam destravar agora.