O índice sul-coreano Kospi caiu 8,5% na sexta-feira (6 de novembro) e acionou o circuit breaker, que interrompe negociações por 20 minutos. No Japão, o Nikkei 225 recuou quase 6% e entrou em bear market, com queda superior a 20% desde o pico de junho.
A onda de vendas é puxada pelo temor de que a forte valorização das ações de inteligência artificial esteja perto do fim. Investidores recuaram de empresas como a SoftBank, investidora da OpenAI, e a fabricante de chips Kioxia, que acompanharam as perdas de Wall Street.
Um operador de mercado em Tóquio descreveu a sessão como um "verdadeiro massacre". Analistas apontam que o gatilho foi político, já que as vitórias democratas nas eleições de terça-feira (3 de novembro) nos Estados Unidos alimentaram temores de regulação mais rigorosa para inteligência artificial.
"Muitas pessoas estão ultrapassando os limites de risco estabelecidos para suas posições em empresas de tecnologia", disse Prashant Bhayani, diretor de investimentos para a Ásia do BNP Paribas Wealth Management. "Nos acostumamos a um ambiente de volatilidade muito baixa, mas isso claramente chegou ao fim."
Na quinta-feira (5 de novembro), o Nasdaq 100 já havia fechado em queda de 6,4%, eliminando mais de US$ 3 trilhões em valor de mercado das ações americanas.
As chamadas "Magnificent Seven", grupo que reúne a Nvidia, que chegou perto de valer US$ 6 trilhões em outubro, perderam cerca de US$ 800 bilhões em valor somadas.
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O efeito no Brasil
O nervosismo global chegou ao mercado brasileiro: o dólar ultrapassou R$ 5,50 na sexta-feira (6 de novembro). O Ibovespa, por sua vez, oscilava perto da estabilidade, após fechar a quinta-feira (5 de novembro) em queda de 0,82%, aos 166.191 pontos.
O movimento repete o que já havia derrubado bolsas da Europa e elevado o dólar no Brasil mais cedo nesta mesma sexta-feira, horas antes de a onda chegar à Ásia. A diferença agora é a escala.
O circuit breaker na Coreia do Sul e o bear market no Japão marcam a pior sessão da dupla desde as tarifas que Donald Trump impôs em abril de 2025.
O que acontece agora
O mercado também observa o relatório de emprego dos Estados Unidos, divulgado na sexta-feira (6 de novembro) pelo Departamento do Trabalho americano, e que deve orientar o Federal Reserve. A dúvida é se a correção na IA se aprofunda ou estabiliza na próxima semana.
A desconfiança com a concentração de capital em poucas empresas de IA já havia sido apontada em outubro, quando a FGV Ibre citou a bolha de IA e a dívida americana como riscos maiores que os juros para a economia global.






























