O Itamaraty classificou nesta quarta-feira (21) as declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o Judiciário e as urnas eletrônicas brasileiras como uma nova tentativa de ingerência externa no processo democrático do país, a quatro dias do 2º turno da eleição presidencial.

Na rede social X, Milei comentou um trecho da entrevista de Lula ao SBT e escreveu esperar que "o último truque de campanha suja" do petista não inclua "roubar as eleições". Ele já havia chamado Lula de "esquerdista ladrão" em publicações anteriores.

As ofensas de hoje do presidente da República Argentina contra o Brasil, dirigidas desta vez ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem uma nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro.

A frase está na nota divulgada pelo Itamaraty. O ministério também afirmou que Milei reitera as mentiras de quem perdeu as eleições e protagonizou o fracassado golpe militar há quatro anos, numa referência a aliados de Jair Bolsonaro.

Segundo a nota, o sistema brasileiro de voto eletrônico é "comprovadamente seguro", nunca registrou irregularidades, e teve a confiabilidade ratificada por observadores eleitorais internacionais no 1º turno.

A relação bilateral já vinha de um rebaixamento. Desde agosto, o Brasil está sem embaixador na Argentina, depois de o Itamaraty decidir não reconduzir o embaixador Julio Bitelli ao posto em Buenos Aires.

As relações passaram a ser conduzidas por um encarregado de negócios, cargo de hierarquia menor.

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A crise começou a escalar em julho, quando Milei discursou na convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, em São Paulo, com críticas diretas ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Desde então, o padrão se repete a cada poucas semanas: Milei ataca Lula ou o sistema eleitoral brasileiro, e o Itamaraty responde com nota de repúdio. Na semana passada, o argentino já havia chamado Lula de ditador comunista e apostado na vitória de Flávio Bolsonaro.

O 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorre neste domingo (25). A decisão, diz a nota do Itamaraty, cabe exclusivamente ao povo brasileiro, sem qualquer tipo de ingerência externa.