A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após sua derrota na eleição presidencial para Lula (PT), é mais um episódio da interferência do governo Trump na política brasileira, avalia o cientista político Octavio Amorim Neto, da FGV.

Segundo o analista, a interferência começou em julho de 2025, com a imposição do tarifaço comercial dos EUA ao Brasil. O Brasil só retomou as negociações sobre as tarifas depois de a eleição ser decidida.

A aproximação de Flávio com o secretário de Estado Marco Rubio tem potencial para agravar a crise entre os dois países. No curto prazo, pode imobilizar o esforço do Brasil para negociar com Washington, que reuniu os chanceleres no G20 nesta semana.

"A fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA reitera a interferência ostensiva por parte do governo Trump na política doméstica brasileira, interferência iniciada em julho de 2025 com a imposição do tarifaço comercial ao Brasil", afirma Amorim Neto.

Para o analista, a política de Rubio para a América do Sul busca restabelecer o controle imperial dos EUA com apoio à direita. Ele cita o argentino Javier Milei, que segue sem reconhecer a vitória de Lula, como principal parceiro de Rubio na região.

O que acontece agora

Amorim Neto lembra que o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, pode mudar o cenário. Ele projeta uma provável vitória do Partido Democrata no Congresso americano.

Se os democratas vencerem, diz o analista, é provável que Trump redobre as apostas em política externa, área que seguiria sob seu controle direto, dificultando ainda mais qualquer negociação do Brasil com a Casa Branca.