A Prefeitura de Tacuru (MS) afastou do cargo o servidor municipal que sugeriu, em áudio, envenenar a água consumida pela Aldeia Sassoró após a reeleição do presidente Lula (PT). O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou a abertura de um processo administrativo disciplinar contra o funcionário.
O áudio começou a circular no domingo (25), um dia após o 2º turno, e trouxe a frase que gerou a denúncia.
"Já falei, tem que pôr veneno na água, matar essas pragas na água".
O trecho, registrado em áudios que circularam pelo WhatsApp, foi atribuído por moradores a uma reação à participação dos indígenas na votação, segundo a Folha de S.Paulo.
Torquetti afirmou que o funcionário trabalha na área de infraestrutura, "com caminhão caçamba", e não atua no abastecimento de água. Segundo o prefeito, o servidor "não especificou quem deveria ser envenenado" na gravação.
Em manifestação anterior, o prefeito havia chamado o episódio de mal-entendido ligado à "euforia" da votação. A denúncia das lideranças indígenas já havia levado o Ministério dos Povos Indígenas a acionar a Polícia Federal na segunda-feira (26).
O cacique e vereador Ivan Montiel (PSDB), da Aldeia Sassoró, classificou o episódio como preconceito e lembrou que o direito ao voto não pode ser motivo de ameaça contra nenhuma comunidade.
"Não vamos aceitar esse tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água", disse Montiel, que defende o direito dos indígenas de escolher livremente seus votos.
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O episódio em Tacuru integra o pacote de denúncias de violência política registradas após o 2º turno. O governo federal contabiliza dez mortes ligadas ao período eleitoral em todo o país.
Outros políticos eleitos também relataram ataques após o pleito. A deputada Érika Hilton lidera o ranking de ataques nas redes durante a eleição deste ano, segundo levantamento divulgado nesta semana.
O que acontece agora
A Polícia Federal apura, desde 26 de outubro, a origem dos áudios e a responsabilidade pela ameaça de envenenamento, sem prazo definido para concluir as investigações. O processo administrativo disciplinar aberto pela prefeitura também segue sem data prevista para conclusão.

































