O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insinuou nesta terça-feira (27), sem provas, que a eleição no Brasil foi fraudada. A fala, em comício no Texas, repete o que ele disse na véspera. Lula venceu Flávio Bolsonaro por 51,79% a 48,21% dos votos.

"Os democratas são os maiores fraudadores de eleições, embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho nisso, não é? Vocês viram aquilo? Não foi nada legal. Eu não tomei partido, mas aquilo não pareceu nada bom", disse Trump, segundo o g1.

É a segunda vez em menos de 48 horas que o americano comenta o resultado. Na segunda-feira (26), ele já havia dito que a eleição "pareceu mais uma eleição fraudada".

Questionado por jornalistas se faria algo a respeito, Trump respondeu que não governa o Brasil e que gosta de Lula.

Cinco dias antes, Celso Amorim, assessor de Lula para assuntos internacionais, havia dito que Trump respeitaria o resultado do 2º turno sem contestação. Depois da nova fala, Amorim mudou o tom.

Ele [Trump] está mal informado. Declaração contraditória, depois diz que gosta do Lula. Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, obstruindo e restringindo as nossas colocações. Só se ele está se referindo à Meta.

Amorim deu a declaração ao g1. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno foi de 4,4 milhões de votos, confirmada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, na noite de domingo (25).

O governo brasileiro já havia se blindado contra uma possível interferência de Trump no resultado, antes mesmo da votação.

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A declaração chega dois dias depois de o TSE confirmar o resultado, sem que Trump aponte qualquer indício concreto de irregularidade.

Segundo o Valor, a fala veio durante discurso de campanha em que Trump comparou o caso brasileiro às eleições de meio de mandato dos EUA, os midterms de 3 de novembro, quando republicanos e democratas disputam o controle do Congresso.

Outros aliados de Trump na região já reconheceram Lula

Apesar da insinuação de Trump, outros líderes de direita aliados dele já reconheceram a vitória de Lula. O colombiano Abelardo de la Espriella e a peruana Keiko Fujimori parabenizaram o petista, segundo o g1, assim como outros líderes mundiais que cumprimentaram Lula nesta semana.

Só o argentino Javier Milei, que durante toda a campanha chamou Lula de "ladrão" e apostou na vitória de Flávio, não havia se pronunciado sobre o resultado até a publicação desta matéria.

O que acontece agora

Trump segue em campanha diária pelos EUA até os midterms de 3 de novembro, e deve repetir o tema. No Brasil, falta o silêncio de Milei. Os demais aliados regionais já reconheceram o resultado, e o argentino é o único que ainda não se manifestou.