O presidente argentino Javier Milei é o único líder sul-americano que ainda não reconheceu a reeleição de Lula, confirmada pelo TSE com 51,79% dos votos válidos no segundo turno de domingo (25). Outros nove chefes de Estado já parabenizaram o petista.
Milei não se manifestou publicamente sobre o resultado até esta terça-feira (27). Durante a campanha, o presidente argentino apoiou abertamente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), rival de Lula no segundo turno, que terminou com 59.826.041 votos contra 64.256.232 do petista.
Nove líderes sul-americanos já parabenizaram Lula até esta terça. Reconheceram o resultado: Santiago Peña (Paraguai), Daniel Noboa (Equador), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile), Keiko Fujimori (Peru), Yamandú Orsi (Uruguai), Delcy Rodríguez (Venezuela), Irfaan Ali (Guiana) e Jennifer Geerlings-Simons (Suriname).
O colombiano Abelardo de La Espriella, eleito com apoio de Donald Trump, também reconheceu o resultado, apesar de dizer não ter afinidade ideológica com Lula.
As tensões entre os dois presidentes vêm de longa data. Em agosto, Milei discursou na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio e chamou Lula de "presidiário", além de atacar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevistas posteriores, chamou o petista de "ladrão" e "corrupto" e questionou a anulação das condenações da Operação Lava Jato.
O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar descontentamento e chamou para consultas o representante brasileiro em Buenos Aires. O chanceler Mauro Vieira classificou o episódio como grave, mas descartou, à época, medidas mais duras, como a retirada definitiva de diplomatas.
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O peso econômico por trás da disputa
O Brasil foi, em 2025, o principal destino das exportações argentinas, com US$ 12,8 bilhões em vendas, e também o maior fornecedor de importações ao país vizinho, com US$ 18,4 bilhões, dentro da integração industrial do Mercosul.
O silêncio de Milei isola a Argentina numa região que já reconheceu o resultado das urnas. É o caso até do colombiano La Espriella, que diverge de Lula ideologicamente, mas reconheceu a vitória do petista. Milei segue isolado nessa frente.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro afirmou que vai recorrer à Justiça para pedir a cassação da chapa vencedora por supostos abusos eleitorais, mesmo com o Centrão já reconhecendo a vitória de Lula.
A PF apura se o senador cruzou para a Argentina rumo aos EUA.
Do outro lado do espectro político internacional, líderes como o francês Emmanuel Macron e o indiano Narendra Modi já parabenizaram Lula pela reeleição, assim como o chinês Xi Jinping.
Até o fechamento desta matéria, o governo argentino não havia indicado quando Milei vai se manifestar sobre o resultado das eleições brasileiras.































