O governo federal contabilizou 45 casos de violência política no país entre a véspera do 2º turno e a terça-feira seguinte (27), com 10 mortes. Segundo o ministro Guilherme Boulos, a maioria ocorreu após a proclamação da reeleição de Lula.

Até a publicação desta reportagem, a campanha de Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal (PL) não haviam se manifestado publicamente sobre o balanço apresentado pelo governo.

As vítimas de homicídio somam dez pessoas, três delas indígenas. O levantamento também reúne sete casos de atropelamento intencional, 14 de agressões físicas, espancamentos e esfaqueamentos, cinco de atentados com arma de fogo, cinco de coação contra povos indígenas e seis de abuso policial.

Segundo Boulos, todos os casos identificados foram praticados por apoiadores do candidato derrotado, o senador Flávio Bolsonaro, contra pessoas que comemoravam a reeleição de Lula. O ministro não detalhou a situação individual de cada uma das 45 ocorrências.

Não haverá impunidade nesses casos. Isso é inadmissível. Nós vivemos um processo democrático, e como toda eleição, um ganhou e um perdeu.

A frase foi dita por Boulos durante a coletiva em Brasília, ao lado do secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Ademar Borges, do secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, e da secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho.

Ao atribuir todos os casos aos apoiadores do candidato derrotado, o governo transforma a apuração em um capítulo político do desfecho da eleição.

Boulos também manifestou solidariedade às famílias das vítimas de homicídio e disse que o compromisso do governo é identificar e punir os responsáveis.

O que acontece agora

Segundo Borges, as investigações serão centralizadas na Procuradoria-Geral da República (PGR). A Polícia Federal vai atuar nos casos de competência federal, como mortes de indígenas e racismo, enquanto os crimes comuns continuam sob responsabilidade das polícias estaduais.

O governo também vai acionar as corregedorias dos órgãos com policiais envolvidos nos seis casos de abuso de autoridade, cobrando afastamento e punição dos agentes.

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Um dos sete casos de atropelamento intencional já teve desdobramento. Em Florianópolis, Boulos pediu a prisão do policial que atropelou um motociclista durante as comemorações da vitória de Lula.

Ataques miraram também povos indígenas

Três das dez mortes atingiram indígenas, e o balanço soma mais cinco casos de coação contra povos originários. O tema ganhou força nos últimos dias. Em Mato Grosso do Sul, indígenas denunciaram ameaças de racismo e envenenamento durante o período eleitoral.

Em setembro, a TV Sim Brasil já registrava alta de 380% na violência política de gênero nos mesmos estados que agora lideram o novo balanço.