O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sinalizou a aliados a intenção de liderar a oposição a Lula a partir de 2030, quando termina o mandato estadual. Mantida a aprovação acima de 60%, ele avalia que "deverá ser candidato" à Presidência.

O movimento ocorre dias depois de Flávio Bolsonaro deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, driblando a ordem do STF para entregar os passaportes. Aliados passaram a enxergar Tarcísio como o principal opositor ao governo Lula a partir de agora.

O governador já havia reconhecido a vitória de Lula e criticado o uso da máquina pública pelo petista durante a campanha, no dia seguinte ao resultado do 2º turno.

"A eleição passou, mas o país continua fraturado, dividido", disse Tarcísio, em vídeo publicado nas redes sociais mais de 24 horas após o resultado, no domingo (25).

"Reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos", completou, sem citar Lula pelo nome diretamente.

Outras lideranças da direita, reunidas no Centrão, também reconheceram a vitória de Lula e isolaram Flávio na contestação do resultado, movimento que isolou ainda mais o senador antes da saída do país.

O que muda no cenário da direita?

O que muda é que a disputa pela liderança da oposição a Lula passa a ter dois polos simultâneos. Enquanto Tarcísio mira a Presidência em 2030 por fora do partido, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ganha espaço justamente dentro da sigla do PL.

Publicidade

A estratégia relatada por Tarcísio inclui organizar a oposição de forma "conjunta e orgânica", depois de classificá-la, segundo o relato, como historicamente "desorganizada e individualista". A agenda proposta seria construída em cima de economia e segurança pública, aproveitando o peso econômico de São Paulo.

O que acontece agora

O segundo mandato de Tarcísio como governador de São Paulo termina em dezembro de 2030. Até lá, ele diz pretender estruturar a oposição em cima de pauta econômica e de segurança pública.

Ele também defende, segundo o relato, uma candidatura única da direita que dispute o espaço hoje ocupado por Davi Alcolumbre no Senado.