O Departamento de Estado dos EUA confirmou nesta terça-feira (27) que vai conceder vistos a Flávio Bolsonaro (PL) e a seus familiares, autorizando a entrada deles no país. A decisão saiu horas depois de ele ignorar a ordem de Moraes sobre os passaportes.

A ordem atendeu a um pedido da Polícia Federal, que via risco de fuga do senador.

Como o prazo não foi cumprido até as 11h desta terça, a corporação cancelou os passaportes de Flávio horas depois.

De madrugada, o jornal argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina para embarcar num avião particular rumo aos Estados Unidos.

A Polícia Federal apura a informação, mas nega que ele tenha passado por algum ponto regular da migração brasileira. A Direção Nacional de Migrações argentina também não tem registro de entrada dele no país vizinho.

No início da noite, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou a concessão do visto ao g1, em Washington. Antes, a Reuters já apurava que Flávio deixara o Brasil. Mais cedo, a CNN chegou a dizer que o destino seria a Flórida, mas depois recuou.

"Mensagem de texto, onde ele dizia que iria dar um tempo hoje e que, depois, conversaria conosco e pronto. Foi a única comunicação que eu tive com ele", disse Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.

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"De lá para cá, nós não tivemos mais nenhuma informação a respeito do senador Flávio. Nós estamos surpresos", completou Marinho, após reunião de emergência do PL em Brasília nesta terça.

O que pode acontecer agora

O STF pode pedir a extradição de Flávio aos Estados Unidos mesmo durante a investigação, mas o acordo bilateral não cobre os crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que pesam contra o senador, segundo especialistas ouvidos pelo Valor.

"O pedido de extradição pode ser realizado ainda na fase investigativa, a chamada extradição instrutória. Contudo, a existência de uma ou mais investigações, por si só, não é suficiente para formulá-lo", explica a advogada criminalista Pamela Villar, sócia do escritório Salomi Advogados.

"É necessário que, observados os requisitos legais, seja decretada a prisão preventiva do investigado", completa Villar.

Um dos inquéritos contra Flávio apura o financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme sobre Jair Bolsonaro; outro envolve negócios do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio.

Mas o alinhamento político entre a família Bolsonaro e o governo de Donald Trump pode travar qualquer pedido do tipo enquanto o senador estiver em solo americano.

As investigações no STF continuam mesmo com ele fora do país. Pelo rito, ele mantém o direito de ser notificado das acusações e de apresentar defesa.

Foi o mesmo rito aplicado ao irmão, Eduardo Bolsonaro, julgado pela Corte sem advogado constituído e representado pela Defensoria Pública da União.