O presidente argentino Javier Milei chamou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "ditador comunista" nesta quarta-feira (14), em discurso no Hispanic Heritage Gala, em Washington. Milei disse que o senador Flávio Bolsonaro (PL) "se imporá novamente" contra Lula "em poucos dias".
"Com a força do céu e ao seu lado, tenho certeza de que dentro de poucos dias se imporá novamente contra o ditador comunista Lula da Silva, pai do Foro de São Paulo junto ao sinistro Fidel Castro", disse Milei.
Ao fim do discurso, voltou a atacar o petista: "Agora vamos expulsar a chutes o ditador comunista do Brasil e vamos pintar o continente de azul".
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro discursou ao lado de Milei no mesmo evento, dias depois de o STF determinar sua prisão por coação no caso do tarifaço dos EUA contra o Brasil. Os dois se abraçaram no palco.
Na sequência das falas, o argentino e o ex-deputado chamaram o ministro do STF Alexandre de Moraes de "lixo careca". Milei também declarou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que classificou como "injusta e vingativamente encarcerado".
O evento, promovido pela Latino Wall Street Foundation e pelo portal La Derecha Diario, rendeu a Milei o prêmio Hispanic Heritage Leadership and Global Impact Award.
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Não é a primeira vez
Esta não é a primeira ofensa de Milei a Lula na campanha. Em setembro, o argentino já tinha atacado o petista na tribuna da ONU, e em 25 de julho também o chamou de ditador, na convenção que oficializou a pré-candidatura de Flávio.
A fala de julho teve custo diplomático: o Brasil convocou o embaixador argentino, Julio Bitelli, para consultas, e o Itamaraty pediu esclarecimentos ao então representante diplomático argentino no país, Daniel Raimondi.
O presidente do STF, Edson Fachin, classificou as falas de Milei, à época, como "incompatível com a civilidade que deve marcar as relações entre os Estados".
Em resposta, o chefe de gabinete argentino, Diego Santilli, chamou a convocação do embaixador de exagero, ao jornal La Nación: "O gabinete de Lula disse barbaridades sobre o presidente e a Justiça argentina. Então, que não venham exagerar".
O discurso de 14 de outubro não ficou restrito ao Brasil. Milei disse ter "expulsado o socialismo da Argentina" e pediu voto em candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, chamando o pleito de "crucial para o Ocidente".
Nem todos os líderes estrangeiros tomaram o mesmo lado. O premiê da Espanha, Pedro Sánchez, declarou apoio público a Lula antes do segundo turno, afirmando que o petista representa o compromisso do Brasil com a defesa da democracia.
A presença de Eduardo Bolsonaro ao lado de Milei, que já era esperada desde dois dias antes, reacende a especulação sobre seu futuro político: ele é cotado para o Itamaraty, caso o irmão Flávio vença a eleição.
O que acontece agora
O segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro acontece em 25 de outubro. É nesta data que o eleitor brasileiro decide entre os dois nomes que Milei colocou em lados opostos no discurso desta quarta.





























