A economista Gabriela Martins, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), afirmou que a Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima aumento de 21% na folha de pagamento do setor com o fim da escala 6 por 1, o que pode elevar os preços da economia em até 13%.
A declaração foi feita em debate promovido pela TV Sim Brasil sobre os efeitos da mudança, aprovada pelo Senado em dois turnos por 75 votos a 1.
Gabriela participou remotamente, por videochamada, ao lado do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Minas, Jairon Nogueira Filho.
Como a Fecomércio calcula o impacto nos preços
Segundo a economista, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que cada 1% de aumento na massa salarial do setor eleva os preços gerais da economia em 0,6%.
"A gente tem uma expectativa da CNC que o aumento dos preços da economia pode chegar a 13%", afirmou Gabriela.
A economista também citou estimativa da CNC de aumento de 21% na folha de pagamento das empresas do comércio com a mudança de jornada.
Ela destacou ainda que "mais de 90% dos trabalhadores trabalham mais de 40 horas" atualmente no comércio brasileiro, parcela que precisará se adaptar à jornada reduzida.
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Por que pequenas empresas preocupam mais a Fecomércio
"Quando os empresários têm sua margem comprimida, eles têm algumas coisas que ele pode adotar, primeiro é reduzir a sua margem", disse a economista.
Para ela, pequenas empresas do setor têm menos margem para absorver o custo extra da nova jornada e tendem a repassar a diferença ao preço final, em vez de fazer novas contratações.
Gabriela também destacou o perfil das pequenas empresas que mais devem sentir o impacto: negócios com até nove funcionários e mais de 25 anos de atuação no comércio mineiro.
"A perspectiva de repassar os preços na economia é real, e é um dos pontos que a gente tem trabalhado muito", afirmou.
A Fecomércio defende que o período de transição para a nova jornada, hoje fixado em um ano, deveria ter sido maior.
"A gente defende que pelo menos o processo de transição fosse maior", declarou a economista durante o debate.
Do outro lado da mesa, o representante da CUT-MG rebateu as projeções como exageradas, citando o exemplo de uma rede de supermercados que já adota a escala 5 por 2.
Segundo ele, a rede relata aumento de produtividade e queda na rotatividade de funcionários, ponto detalhado em outra reportagem desta cobertura.

































