Vinícius Dantas, da Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), afirmou em participação gravada que o fim da escala 6 por 1 trará custo alto para a produção e defendeu uma reforma da CLT, durante debate da TV Sim Brasil sobre os efeitos da mudança na jornada de trabalho.

Dantas defendeu que a reforma trabalhista é necessária com urgência diante do crescimento do trabalho informal puxado pelos aplicativos.

"Nós temos hoje os aplicativos, tanto de entrega quanto de transporte logística, que levam o trabalhador para informalidade", disse.

Ele descreveu jornadas sem limite entre entregadores: "uma sobrecarga de trabalho, onde se trabalha umas horas e meia, 12 horas e até mais", cobrando que as regras valham para as empresas com CNPJ estabelecidas.

O que CUT e Fecomércio dizem sobre os aplicativos

Questionado sobre a fala de Dantas, o presidente da CUT-MG, Jairon Nogueira Filho, concordou que o setor está sem regras.

"A questão dos aplicativos está solta. Isso aí, nós estamos tentando a regulamentação, já tem um tempo", afirmou.

Para ele, o problema não é taxar o trabalhador, mas cobrar as empresas donas das plataformas.

"Não é colocar imposto para o trabalhador do aplicativo. É você regulamentar as redes de aplicativo, as empresas que são donas, que têm lucrado muito", disse.

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A economista Gabriela Martins, da Fecomércio-MG, apontou que a informalidade atinge hoje cerca de 40% dos trabalhadores, parcela que fica sem cobertura previdenciária em caso de acidente ou doença.

"A informalidade hoje atinge os termos de 40% dos trabalhadores, é um patamar muito alto", disse Gabriela.

Segundo ela, quando uma família perde toda a renda por falta de cobertura previdenciária, o cenário é catastrófico para a economia, para as famílias e para as pessoas.

Por que o tema ficou de fora da discussão sobre a 6x1

Gabriela reconheceu que o debate sobre a redução da jornada não alcança quem já está fora da CLT.

"Esse processo não está falando das pessoas que trabalham de maneira informal. Não está falando de como que vai ficar a jornada de trabalho com essas pessoas", afirmou.

Ela defendeu a abertura de caminhos para que esses trabalhadores migrem para vínculos com mais garantias.

Jairon também ponderou que, mesmo usando aplicativos no dia a dia, defende jornada menor e cobertura para o entregador.

"Eu queria que aquele trabalhador tivesse uma jornada menor, que tivesse descansado, não tivesse nenhum risco de acidente. Ou quando há o acidente que ele tem alguma cobertura", disse.

O fim da escala 6 por 1, tema central do debate, foi aprovado pelo Senado por 75 votos a 1 e trata exclusivamente de trabalhadores com carteira assinada, regime que não alcança motoristas e entregadores de aplicativo.