Quatro relatores independentes da ONU pediram, nesta quarta-feira (21), que a Meta avalie se restringiu de forma desproporcional um dos lados da disputa presidencial brasileira, a quatro dias do 2º turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A campanha de Lula acusa a Meta de favorecer Flávio no Instagram e no WhatsApp. Segundo a coligação, o perfil do presidente ficou impedido de impulsionar conteúdo no feed do Instagram entre os dias 9 e a manhã de 10 de outubro.

O episódio motivou a denúncia da coligação à ONU, à PGR e à Polícia Federal contra a atuação da empresa, apresentada em outubro.

Observadores internacionais citados no comunicado relataram quatro tipos de problema: interrupções temporárias da conta de campanha de um candidato, diferenças de engajamento e alcance entre publicações, restrições a posts de campanha no Instagram e diferenças entre partidos na geração de imagens por inteligência artificial.

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O texto chega numa reta final de campanha já marcada por disputa sobre o papel das redes sociais no resultado, mas não cita nenhum candidato nominalmente. Os especialistas da ONU afirmaram:

Plataformas online são atores fundamentais no debate democrático. Impedir que as pessoas se expressem ou alcancem audiências sem explicação afeta quem é ouvido.

O que diz a Meta

A Meta respondeu às acusações em 16 de outubro. A empresa negou interferência política e atribuiu cerca de 70% das restrições às decisões do TSE, reconhecendo só falhas técnicas temporárias que atingiram Lula e outros candidatos.

A Justiça Eleitoral já havia determinado que a Meta não reduza a distribuição de conteúdo político nem gere desequilíbrio entre as duas candidaturas, e que sua ferramenta de inteligência artificial aplique os mesmos critérios aos dois lados. A decisão vale até o 2º turno.

O conselho de supervisão da própria Meta já apontara falhas recorrentes na moderação eleitoral antes da manifestação da ONU.

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Dias antes, a empresa também havia negado favorecer Flávio e dito ter retirado 720 posts do ar por violarem suas regras eleitorais. A medida veio depois da pressão pública da campanha de Lula.

O que acontece agora

A coligação de Lula já moveu mais de 90 ações no TSE contra publicações nas redes sociais, segundo o Poder360, enquanto os relatores da ONU cobram da Meta explicações e reparação a quem foi afetado, sem prazo definido para resposta.

O tribunal eleitoral já suspendeu propaganda dos dois candidatos nesta mesma semana, no que vem sendo a reta final mais judicializada da campanha. O 2º turno é neste domingo (25).