O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou nesta terça-feira (20) a guinada conservadora na América do Sul, afirmando que a região está prosperando após anos pendendo à esquerda. Ele citou aliados eleitos na Colômbia, no Chile e no Peru, mas não mencionou o Brasil.

A América do Sul está se tornando um lugar completamente diferente e prosperando.

"Se vocês observarem o que está acontecendo na América do Sul, não vão acreditar", completou Trump. "Em um curto período, os países estão se tornando extremamente conservadores, de uma maneira muito positiva, em muitos aspectos."

Segundo o republicano, todos os candidatos que ele apoiou na região foram eleitos. Ele citou o presidente da Colômbia, Abelardo De la Espriella, apelidado de "El Tigre": "Sempre foi um grande apoiador meu. Eu não o conhecia, mas gostei dele."

Políticos alinhados ideologicamente a Trump também venceram eleições recentes no Chile e no Peru. O Brasil, porém, não apareceu na lista.

Por que Trump evitou citar o Brasil?

Trump evita mencionar o 2º turno brasileiro desde o início da campanha porque a Casa Branca avalia que um apoio explícito prejudicaria o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo reportagem do Washington Post que a TV Sim Brasil já havia noticiado.

"Conseguíamos ver isso nos dados", disse um assessor da Casa Branca ao jornal americano, sob anonimato. "Sempre que Lula usava Trump para dizer que os EUA estavam tentando abusar do Brasil, isso repercutia positivamente no público." A orientação interna, segundo o relato, foi "fiquem quietos".

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A própria campanha de Flávio já havia adotado a mesma estratégia. Em maio, após visitar a Casa Branca, o senador afirmou que jamais pediria o apoio de Trump à sua candidatura.

Antes do 1º turno, o presidente americano chegou a chamar a eleição brasileira de "muito importante" e disse acompanhar seu andamento de perto.

O secretário de Estado, Marco Rubio, fez declaração parecida. O Departamento de Estado afirmou apoiar "o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo".

O que acontece agora

O 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro acontece em 25 de outubro, cinco dias após a fala de Trump no Salão Oval. O silêncio deliberado sobre o Brasil contrasta com o entusiasmo declarado por Trump em relação aos demais países da região.

Enquanto isso, o governo brasileiro segue respondendo a comentários de líderes estrangeiros sobre a eleição: na semana passada, o Itamaraty já havia rebatido o presidente argentino Javier Milei após ele mencionar fraude no pleito brasileiro.