A Federação Americana de Escritórios Agrícolas (AFBF) apoiou, nesta quarta-feira (21), o programa de US$ 8 bilhões dos EUA para socorrer produtores rurais com a alta do diesel, e a proposta da EPA de usar milho e soja para elevar a mistura de biocombustível.

O programa, batizado Harvest Fuel Relief, prevê pagamento único a produtores, calculado pela área plantada informada à Agência de Serviços Agrícolas (FSA). Segundo o presidente da AFBF, Zippy Duvall, o aumento do diesel tem pressionado as margens de agricultores e pecuaristas americanos.

A proposta da Agência de Proteção Ambiental (EPA) prevê realocar 770 milhões de créditos de conformidade (RINs) antes dispensados a pequenas refinarias, para sustentar a demanda por etanol e biodiesel, feitos de milho e soja. Os RINs funcionam como a moeda de troca do programa.

A agência avalia distribuir o volume entre 2026 e 2027, ou transferir tudo para 2027. A proposta recebe comentários públicos até 4 de dezembro.

O que muda para o produtor brasileiro?

O mercado de commodities reage rápido a esse tipo de decisão da EPA. Em março, quando a agência fixou os volumes obrigatórios de biocombustível para 2026 e 2027, a soja caiu 1,24% na Bolsa de Chicago no mesmo pregão.

O milho também recuou, 1,07% no mesmo pregão, porque a EPA adiou para 2028 a penalização mais rígida sobre biocombustível importado. O adiamento represou uma proteção que o mercado já dava como certa para o óleo de soja dos EUA.

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A proteção represada valia até 4 milhões de toneladas a mais de consumo interno de soja em 2026 e mais 2 milhões em 2027, segundo a mesma leitura do mercado.

O mercado não buscava apenas volumes maiores de mistura, mas também uma vantagem competitiva clara para a matéria-prima doméstica.

A avaliação é da consultoria Royal Rural sobre a mesma disputa regulatória que a AFBF agora reforça, numa queda de braço que já deixou a soja brasileira refém do aperto de mão entre Xi Jinping e Donald Trump.

O que acontece agora

A Anec reduziu a previsão de exportação de soja do Brasil em outubro para 6,4 milhões de toneladas, ante 6,55 milhões na estimativa anterior, enquanto elevou a de milho para 6,87 milhões de toneladas. A revisão saiu na mesma semana da proposta da EPA.

O cenário já tinha levado o Brasil a ver a exportação de soja encolher depois que a China passou a comprar mais dos EUA, movimento que a proposta da EPA pode reforçar se aprovada em dezembro.

Analistas também apontam o lado oposto da mesma moeda: a crise agrícola nos EUA também aproxima o Brasil de virar o maior exportador agrícola do mundo, dependendo de como a disputa regulatória termina em dezembro.