O supertufão Champi se tornou a tempestade mais forte do mundo em 2026, com categoria 5 e pressão de 895 hPa no centro, e ameaça Taiwan, China e partes das Filipinas. Ele nasceu de um Oceano Pacífico mais quente que o normal, segundo meteorologistas.
Segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o Champi sustenta ventos de quase 300 km/h, com rajadas estimadas em 306 km/h. O boletim desta quarta-feira (21) classificou o fenômeno como "feroz" ao sul de Okinawa.
A pressão de 895 hPa no centro do Champi fica atrás apenas do furacão Polo, que havia registrado 892 hPa no Pacífico Oriental em setembro.
Mas o Champi superou o Polo em vento: suas rajadas instantâneas, segundo a JMA, chegam a 306 km/h, contra os 285 km/h do pico do furacão anterior.
O MetSul Meteorologia, outro instituto que acompanha o fenômeno, estima rajadas ainda maiores, de até 360 km/h. A diferença mostra como a medição de ventos de um tufão varia conforme o instrumento e a metodologia de cada centro meteorológico.
O Oceano Pacífico está excepcionalmente quente, todo o oceano está mais quente. A gente já previa uma temporada de furacões muito ativa e com alguns dos furacões muito intensos, excepcionalmente intensos.
A avaliação é de Estael Sias, mestre em Meteorologia pela USP. Segundo ela, as águas do Pacífico vêm muito quentes há semanas, o que já indicava uma temporada de ciclones mais violenta.
Tufão e furacão são o mesmo fenômeno, batizado de forma diferente conforme o oceano: no Pacífico oeste, onde está o Champi, chama-se tufão; no Atlântico e no Pacífico leste, furacão, segundo o professor de geografia Rodolfo Pena.
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O fenômeno só se forma em águas quentes, entre os trópicos.
Segundo a professora Larissa Mesquita, três fatores causam o fenômeno: superfície do mar quente, com maior evaporação; umidade elevada nas camadas baixas da atmosfera; e instabilidade atmosférica. Quando o vento ultrapassa 241 km/h, o ciclone vira supertufão, categoria que o Champi atingiu nesta semana.
O mesmo calor do oceano que turbina o Champi na Ásia é sintoma de um padrão que também preocupa o Brasil.
O que o calor do Pacífico tem a ver com o Brasil
O cenário de águas mais quentes está ligado ao El Niño, que especialistas já davam como muito provável de chegar a intensidade muito forte, com 81% de chance, em alerta de julho.
No Brasil, um estudo projetou até 13,3 mil mortes por calor num cenário de Super El Niño. A tempestade que ameaça a Ásia esta semana e o risco que o país já monitora vêm, em parte, da mesma água mais quente.
O que acontece agora
Nos próximos dias, a trajetória do Champi deve definir se Taiwan e a China serão atingidos diretamente, já que o ciclone nasceu no Pacífico Ocidental e avança de leste para oeste. Áreas das Filipinas também estão sob risco, segundo os institutos meteorológicos.





























