O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Minas Gerais, Jairon Nogueira Filho, citou a própria escala de trabalho na Cemig, de seis dias trabalhados por quatro de folga, como exemplo de modelo alternativo à escala 6 por 1, durante debate promovido pela TV Sim Brasil sobre o fim do regime no Brasil.

Jairon é plantonista na Cemig e descreveu a própria escala, de seis dias trabalhados por quatro de folga, como inspirada em um modelo francês adotado pela empresa desde a década de 1980.

"Nesse ciclo da minha escala, eu consigo regulamentar a minha vida pessoal, eu consigo estudar, eu consigo ter lazer, eu consigo ter acesso à minha família", completou.

Por que a saúde mental entra no centro do debate

O sindicalista associou o fim da escala 6 por 1 ao combate ao que chamou de ciclo de adoecimento.

Segundo ele, se o modelo de jornada não muda, outro trabalhador acaba ocupando o mesmo posto e adoecendo da mesma forma, repetindo o ciclo.

Para Jairon, é o Sistema Único de Saúde (SUS) que acaba arcando com o custo desses afastamentos.

Em vídeo exibido durante o programa, o médico psicanalista André Fusco, consultor de saúde mental para empresas, comparou o debate ao histórico embate em torno do fim da escravidão no Brasil.

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"Ela é muito similar à discussão que tinha na época da abolição da escravidão", disse Fusco.

"Quando se discutiu a liberdade das pessoas negras, se usava o argumento de que quantos empregos vão acabar com o fim do tráfico negro, quem vai fazer a nossa colheita?"

Fusco defendeu que nenhum argumento econômico justifica o afastamento de famílias do convívio.

"Acho que nenhuma economia é suficiente ao ponto de fazer milhares de pais e mães ficarem longe dos filhos, do convívio familiar, do seu descanso, da sua saúde", declarou.

O impacto apontado para as mulheres trabalhadoras

Ao comentar a repercussão da aprovação entre trabalhadores do comércio, Jairon afirmou que mulheres são as mais penalizadas pela escala atual, por acumularem trabalho doméstico e cuidado escolar dos filhos.

Para ele, uma mãe que trabalha sábado e domingo e tem apenas um dia de folga no meio da semana enfrenta uma rotina cruel.

"Ela não consegue acompanhar a vida escolar do filho, não consegue ter o fim de semana com o filho", disse.

O debate reuniu ainda a economista Gabriela Martins, da Fecomércio-MG, que defendeu maior prazo de transição para as empresas se adaptarem aos custos da mudança, argumento detalhado em outra reportagem desta cobertura.