Os Estados Unidos promoveram nesta segunda-feira (19), na sede da ONU em Nova York, um evento contra o governo cubano. A votação sobre o fim do embargo dos EUA a Cuba, pedida pela ilha desde 1962, está marcada para 27 e 28 de outubro.
O evento, batizado de "Cuba Libre, a Opressão, Havana Heights", foi promovido pelos Estados Unidos na sede da ONU. O embaixador cubano na ONU, Ernesto Soberón, respondeu em nota.
"Denunciamos este evento nos termos mais veementes possíveis. Cuba não será intimidada, chantageada ou silenciada", disse Soberón.
Cuba não é uma ameaça. O bloqueio, sim.
Como os EUA justificam o voto contra
O subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Juan Pablo Segura, pediu a rejeição da resolução cubana. "Votar a favor da resolução de Cuba na ONU supõe recompensar um regime hostil", afirmou.
Segura acusou o governo cubano de exportar "subversão marxista" havia quase sete décadas e de realizar "atividades de espionagem de alto nível" contra os americanos.
O secretário de Estado, Marco Rubio, também ligou para líderes de outros países, como o presidente de El Salvador, pedindo apoio aos EUA na votação.
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O Brasil mudou de posição nos últimos anos. Em 2019, votou contra a resolução que pede o fim do embargo. Em 2021, se absteve.
Em 2025, sob o governo Lula, o Brasil votou a favor pela primeira vez neste ciclo. A resolução foi aprovada por 165 votos a favor, 7 contra e 12 abstenções, dois a mais que em 2022.
No Brasil, o embaixador cubano, Victor Manuel Cairo Palomo, chamou o bloqueio de "política genocida" e disse esperar o apoio brasileiro de novo. Ele já havia afirmado, na semana passada, que Cuba vive uma "situação de guerra" diante das ameaças de Trump.
O atrito já havia aparecido em junho, quando Cuba rejeitou acusações dos EUA contra empresas cubanas ligadas ao bloqueio.
A disputa também aparece no retrato mais amplo da região: o Brasil é descrito como a peça que falta no mapa de aliados latino-americanos de Trump.
Dos dois lados, o bloqueio virou teste de lealdade diplomática antes da votação: Washington telefona a aliados, Havana reafirma apoio histórico na Assembleia.
O bloqueio já provocou apagões generalizados em Cuba. Em agosto, a ilha teve o 6º corte de energia do ano, o 11º desde o fim de 2024, que afetou cerca de 9,4 milhões de habitantes.
O governo cubano atribui a crise ao embargo de combustível imposto por Trump em janeiro.





























