O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado (17) que o presidente Donald Trump vai levar até 60 dias para decidir se reaplica as sanções à Rússia suspensas na véspera. A medida atinge compradores de diesel russo, como o Brasil.
Muitos de vocês ainda não sabem qual é a minha decisão, mas vamos descobrir, e vocês também vão descobrir.
A frase é de Trump, dita a jornalistas em seu clube Mar-a-Lago, na Flórida. A suspensão ocorre poucas semanas antes das eleições de meio de mandato de novembro nos Estados Unidos.
O presidente está sob pressão por causa dos preços altos de energia. Segundo Rubio, o objetivo é medir o efeito da pausa antes de qualquer decisão final sobre a Lei Graham, que previa as sanções.
"Acho que o presidente quer aproveitar esse período de 60 dias para, de certa forma, analisar o que a imposição tanto de sanções quanto de tarifas significará para a economia global e até mesmo para a economia dos Estados Unidos."
Disse o secretário a repórteres, antes de embarcar para o Uzbequistão.
O que muda para o Brasil?
O Brasil sente o efeito porque é o maior comprador mundial de diesel russo. A fatia do produto russo nas importações brasileiras caiu de 64% em junho para 17% em julho, enquanto os Estados Unidos subiram de 36% para 78%.
O preço médio do diesel no Brasil já subiu 7% em um mês e chegou a R$ 7,35 por litro em outubro. Em maio, o governo já havia anunciado cerca de R$ 40 bilhões em subsídios e desoneração de tributos para conter a alta.
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Nem todo o efeito é negativo para o país. O Brasil também ganha com o afastamento comercial da Rússia. As vendas de petróleo bruto à União Europeia saltaram 139% em valor até setembro, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O que acontece agora
O prazo de 60 dias citado por Rubio se encerra em meados de dezembro, depois das eleições de meio de mandato de novembro nos Estados Unidos. Até lá, vale a General License 135 do Tesouro americano.
A licença libera o comércio de diesel russo até 7 de abril de 2027. Também segue valendo o decreto assinado por Trump na sexta (16), que já provocou críticas de republicanos nos EUA.
A lei suspensa leva o nome do senador Lindsey Graham, morto em 11 de julho deste ano, meses antes de ver a própria legislação ser barrada pelo presidente que ajudou a pressionar.
A Lei Graham foi sancionada por Trump no mês anterior, com apoio bipartidário de republicanos e democratas. Rubio citou a Índia como exemplo do dilema. O país diversificou fontes de energia, mas segue dependente do petróleo russo.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy criticou o decreto, alertando que a medida encorajaria o presidente russo Vladimir Putin e prolongaria a guerra.































