O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, afirmou que a população cubana se prepara para uma possível ação militar dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump vem ameaçando "tomar" a ilha e enviou um porta-aviões nuclear para a região, segundo o diplomata.

"Cuba não pode ignorar que todos os dias, todas as semanas, o secretário de Estado ou o presidente Trump fala com a imprensa para soltar alguma ideia de uma possível ação militar contra Cuba", afirmou Cairo Palomo ao Metrópoles.

Por que a tensão aumentou agora?

A tensão subiu depois que os EUA capturaram o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, numa operação militar. Trump cortou o envio de petróleo venezuelano para Cuba na sequência.

O americano ameaçou ter a "grande honra" de tomar o país e mandou um porta-aviões nuclear para águas próximas à ilha. Cuba está sob embargo econômico dos Estados Unidos desde 1962, imposto após a aproximação do país com a então União Soviética.

A restrição atinge bancos, empresas e pessoas com vínculo com Havana e já levou Cuba a rebater acusações dos EUA sobre o bloqueio. Ao Brasil 247, o embaixador disse que "já estamos em uma situação de guerra".

Diante do cenário, o governo cubano recorre à doutrina da Guerra de Todo o Povo, formalizada no início da década de 1980. Ela prevê que civis se mobilizem ao lado das Forças Armadas para defender o país em caso de invasão.

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Não é uma guerra somente do Exército. É a luta de um Exército muito poderoso contra uma população.

Como a tensão afeta o Brasil?

A crise já tem efeito direto por aqui: os pedidos de refúgio de cubanos no Brasil saltaram de 22,3 mil em 2024 para 41,9 mil em 2025, segundo dados citados pelo embaixador.

O movimento também havia dobrado entre 2023 e 2024, num padrão que se repete na rota de imigrantes cubanos que já pressiona Roraima. Cairo Palomo atribui o aumento à perda de status migratório de milhares de cubanos nos EUA sob as políticas de Trump.

As jornadas rumo ao Brasil passam por Suriname, Guiana Francesa, Oiapoque e Belém. Organizações criminosas cobram valores elevados pelo transporte dos migrantes nessa rota.

O diplomata também agradeceu a ajuda humanitária recebida do Brasil neste período. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) enviou 7,6 toneladas de remédios a hospitais cubanos.

O governo brasileiro doou cerca de 48 toneladas de leite em pó à ilha, transportadas por aeronave da Força Aérea Brasileira. "Temos recebido muita solidariedade do povo brasileiro e do governo brasileiro neste momento complexo", disse o embaixador.