O presidente Lula (PT) acusou neste domingo (18) a família do senador Flávio Bolsonaro (PL) de estar subordinada aos EUA, no debate da Band em São Paulo. A declaração veio após ele perguntar se Flávio aceitaria o controle americano sobre as terras raras do Brasil.

A família Bolsonaro está subordinada aos interesses americanos. É notável. O irmão está lá fazendo pressão e instigando o golpe contra o Brasil.

A frase mirava o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos. Lula disse que aliados do senador pressionam autoridades americanas contra o Brasil, com tarifas sobre produtos brasileiros. O debate foi mediado por Adriana Araújo e Eduardo Oinegue.

Lula também questionou se Flávio aceitaria entregar aos Estados Unidos o controle das reservas usadas em baterias e chips, justamente quando a China negocia investimento em uma mina brasileira do mesmo minério. Flávio não respondeu diretamente à pergunta.

"Ninguém trabalhou para tarifar a empresa brasileira. Eu fui até lá nos Estados Unidos para defender as empresas e os produtos brasileiros", rebateu o senador do PL.

Flávio revidou acusando Lula de ter procurado o presidente americano, Donald Trump, para impedir a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. "Ele foi para lá para defender CV e PCC", disse.

Lula, em seguida, cobrou se Flávio aceitaria aderir ao Escudo das Américas, a iniciativa de segurança lançada por Trump.

O controle das reservas virou moeda de troca na disputa comercial entre as duas maiores potências do mundo, e o Brasil está no meio dela. Flávio rejeitou a ideia de subordinação aos EUA e disse que a cooperação em segurança envolve Argentina e Bolívia.

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Quanto valem as terras raras em disputa

O Brasil tem 11,4 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, cerca de 15% da reserva mundial, atrás só da China, segundo revisão do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) divulgada em maio deste ano.

A produção comercial ainda é pequena. A Serra Verde, única mineradora com exploração ativa do minério no Brasil, foi comprada pela americana USA Rare Earth em abril, com contrato de 15 anos por toda a sua produção.

O Departamento de Guerra dos EUA investiu US$ 750 milhões no projeto em agosto, e uma refinaria em Goiás já sentiu o custo da corrida. Em Minas Gerais, a Lynas comprou um projeto de terras raras por R$ 3,5 bilhões em setembro.

O que acontece agora

O 2º turno entre Lula e Flávio será decidido no domingo, 25 de outubro.

No 1º turno, realizado em 4 de outubro, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, sem que nenhum dos dois atingisse a maioria necessária para vencer já na primeira votação.