Senadores e deputados republicanos que disputam reeleição nos Estados Unidos passaram a criticar as tarifas do presidente Donald Trump, a três semanas da eleição legislativa de 3 de novembro. Pesquisa Reuters/Ipsos mostra que 78% dos americanos culpam o governo pela alta do custo de vida.

A inflação nos Estados Unidos fechou setembro em 3,7% ao ano, segundo a reportagem do Financial Times republicada pelo Valor. O salário médio cresceu 3% no mesmo período, e o ganho real dos trabalhadores cai há seis meses seguidos.

"Os moradores de Michigan não consideram o Canadá um inimigo", disse o senador Mike Rogers (R-MI), ao pedir o fim das tarifas. O republicano John Sununu (R-NH) cobrou a eliminação das taxas sobre materiais de construção.

O senador Ted Cruz (R-TX) chamou as tarifas de "um imposto sobre os consumidores americanos". Para Rand Paul (R-KY), "os custos recaem sobre famílias, estudantes e qualquer pessoa que precise comprar produtos".

Susan Collins (R-ME) e o deputado Jeff Hurd (R-CO) também se distanciaram da política tarifária do presidente.

A Casa Branca rebate as críticas e sustenta que as tarifas protegem trabalhadores, agricultores e empresas americanas de práticas comerciais consideradas desleais por parte de outros países.

A pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 4.506 americanos entre 30 de setembro e 5 de outubro. Ela mostra que 78% culpam as políticas de Trump pelo custo de vida alto, incluindo 64% dos próprios eleitores republicanos.

Entre a base do partido, 57% dizem que os preços sobem mais rápido que o salário.

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A três semanas da eleição de meio de mandato, pesquisas de intenção de voto colocam os republicanos 8 pontos percentuais atrás dos democratas. A disputa de 3 de novembro decide quem controla a Câmara e parte do Senado dos Estados Unidos.

O que isso muda para o Brasil?

Para o Brasil, o desgaste eleitoral de Trump com as tarifas chega num momento sensível. As negociações entre as equipes comerciais dos dois países para reduzir a tarifa, que hoje soma até 37,5% sobre produtos brasileiros, só devem avançar depois da eleição americana.

O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o governo americano se comprometeu a enviar o documento com as exigências por setor só no início de novembro, após a última reunião bilateral, em 29 de setembro, com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

A tarifa atual soma 25% por alegação de práticas comerciais consideradas restritivas e 12,5% por uma investigação americana sobre mão de obra forçada em importações.

Em outubro de 2025, Lula já havia pedido a Trump, por telefone, a remoção da tarifa então de 40% sobre produtos brasileiros, sem sucesso até hoje.

A TV Sim Brasil já mostrou como a eleição americana de novembro pode decidir o futuro do tarifaço ao Brasil.

Cresce também o número de republicanos importantes que se afastam do presidente, agora também por causa do impacto eleitoral das tarifas.

O que acontece agora

O documento americano com as exigências tarifárias setor a setor deve chegar a Brasília no início de novembro, já com o resultado da eleição legislativa dos EUA conhecido.

Até lá, a proposta americana sobre o tarifaço segue sem data certa, e o grupo de trabalho criado por Brasil e EUA em outubro continua sem prazo para concluir a negociação.