Cuba vive o pior momento da crise energética desde 2024: o país teve 8 apagões nacionais neste ano e um déficit recorde de quase 2 mil megawatts, agravados pelo bloqueio de petróleo que o governo dos Estados Unidos impõe à ilha desde janeiro.

A falta de combustível também compromete o abastecimento de água, já que as bombas dependem de eletricidade. Em Cuba, 2,7 milhões de pessoas enfrentam corte total ou parcial no fornecimento, segundo o site português Renascença.

Em 13 de setembro, a ilha tinha apenas 1.335 megawatts disponíveis contra 3.270 necessários, déficit de quase 2 mil megawatts, segundo a CNN Brasil. A rede elétrica cubana gera hoje cerca de um terço da energia que o país precisa.

O sistema de saúde cubano é um dos mais afetados. O Ministério da Saúde Pública do país registra fila de espera de 96 mil pacientes, entre eles mais de 11 mil crianças aguardando cirurgia, informou a CNN Brasil em setembro.

O bloqueio energético também trava a importação de remédios. Hospitais cubanos hoje concentram a capacidade quase só em emergências.

A guia de cavernas Osiris Hernández, moradora da região de Viñales há 29 anos, relatou a rotina sob os apagões. "Fomos nos adaptando aos poucos, esperando para ver se as coisas vão mudar. Temos que continuar lutando", disse Hernández.

O que o Brasil está fazendo por Cuba

O Brasil enviou 48 toneladas de leite em pó a Cuba em agosto, e prepara novo envio de arroz e feijão para novembro, segundo o embaixador Víctor Manuel Cairo Palomo. "Quero agradecer profundamente ao povo brasileiro", disse Palomo nesta segunda-feira (19).

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Palomo também comentou as eleições brasileiras de 2026, dizendo esperar que as relações bilaterais seguam estáveis, qualquer que seja o resultado. A declaração vem dias depois de o embaixador falar em risco de guerra após ameaças de Trump.

O texto chega no mesmo dia em que Cuba enfrenta ofensiva dos EUA na ONU antes de votação sobre o bloqueio.

A resistência cubana ao bloqueio já havia sido verbalizada em junho, quando o escritor Abel Prieto, conselheiro do governo, disse que o país nunca se renderia, mesmo que precisasse morrer pela pátria.

Em abril, durante coletiva em Hannover, na Alemanha, o presidente Lula já havia chamado o bloqueio de "vergonha global" e disse se opor a qualquer intervenção em outro país.

Enquanto o embaixador agradece a ajuda concreta do Brasil, o discurso entre Washington e Havana segue em rota de colisão.

O que acontece agora

O próximo carregamento humanitário brasileiro, com arroz e feijão, está previsto para novembro, mas ainda depende da definição de uma embarcação para o transporte, segundo o embaixador cubano.