O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026 ante o mesmo período do ano anterior, informou nesta segunda-feira (19) o Departamento Nacional de Estatísticas do país (NBS), acima da previsão de 4,4% dos analistas.
O resultado foi puxado pela disparada das exportações chinesas e superou a previsão mediana de 4,4% dos analistas consultados pela Bloomberg. O superávit comercial mensal da China bateu recorde de US$ 133,5 bilhões, segundo a CNBC.
O ritmo veio acima dos 4,3% do trimestre anterior, um dos mais baixos da China em anos. Nos nove primeiros meses de 2026, o crescimento acumulado chegou a 4,6%, dentro da meta oficial do governo chinês para o ano, de 4,5% a 5%.
O vice-diretor do NBS, Mao Shengyong, reconheceu que a taxa de crescimento do trimestre está entre as mais baixas da China em décadas, descontado o período da pandemia de Covid-19.
Ainda assim, destacou, foi uma das mais fortes entre as maiores economias do mundo. "A base para um desempenho econômico estável e em melhora ainda precisa ser consolidada", admitiu.
As vendas no varejo cresceram só 1,1% em setembro, bem atrás da produção industrial, que avançou 5,5% no mesmo mês.
O mercado imobiliário chinês segue em recessão. A crise já corroeu a riqueza das famílias chinesas nos últimos cinco anos, segundo o NBS.
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As exportações da China saltaram 36% em setembro ante o mesmo mês de 2025, em dólares. O superávit comercial do país deve superar o recorde de US$ 1,2 trilhão do ano passado.
O avanço pressiona parceiros comerciais como a União Europeia, que vem reagindo com restrições a produtos chineses. A UE e a China fecharam acordo neste mês para limitar as exportações chinesas de carros híbridos ao bloco europeu, mas Bruxelas já estuda novas restrições.
A fraca demanda interna levou a fabricante de faróis de motocicleta administrada por Zhang Chao a praticamente abandonar as vendas dentro da China para se concentrar no mercado externo, onde os pedidos dobraram neste ano.
"É muito competitivo e não dá lucro", disse Zhang, que toca as operações da empresa no Sudeste Asiático.
A China cresce cada vez mais dependente de vender para fora e cada vez menos capaz de fazer os próprios consumidores gastar, resumem analistas do banco ANZ em nota sobre os dados divulgados nesta segunda (19).
O que o crescimento chinês muda para o Brasil
O crescimento chinês movido a exportação tem efeito direto no Brasil: o comércio bilateral bateu recorde de US$ 143 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, com a China como maior compradora de commodities brasileiras.
A tarifa chinesa sobre a soja ainda favorece o Brasil, mesmo com a retomada das compras dos Estados Unidos pela China.
O recorde de exportações chinesas beneficia a soja brasileira, mas ameaça a indústria nacional com produtos mais baratos, aponta a mesma apuração.
Para o Brasil, o cenário é ambíguo. A mesma exportação agressiva que sustenta o crescimento chinês também move o recorde do comércio bilateral com o país, mas barateia produtos manufaturados e pressiona a indústria nacional a competir por preço.





























