Os programas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) apresentam propostas diferentes para o crédito rural do Plano Safra. Flávio associa o acesso ao financiamento à regularização fundiária; Lula promete ampliar o crédito e ajustar os juros à rentabilidade do produtor.
O acesso ao crédito rural será um dos desafios do próximo presidente. Com juros elevados e uma diferença crescente entre a necessidade de financiamento do agronegócio e os recursos do Plano Safra, produtores enfrentam dificuldade para custear a produção, renovar máquinas e investir em tecnologia.
Entidades do setor apontam um hiato de R$ 500 bilhões entre a necessidade anual de financiamento do agronegócio e os recursos do Plano Safra.
O que propõe Flávio Bolsonaro
O programa de Flávio relaciona o acesso ao crédito à regularização fundiária. Propõe retomar o ritmo de titulação de pequenos imóveis, sob o argumento de que a documentação permite ao produtor acessar financiamento e investir com segurança.
O texto também propõe reorganizar as dívidas rurais e ampliar o seguro rural. Não estabelece, porém, metas de expansão do crédito oficial nem valores para custeio e investimento no próximo mandato.
O que propõe Lula
O programa de Lula promete ampliar o crédito rural e assegurar juros compatíveis com a rentabilidade da atividade. Prioriza financiamento de máquinas, equipamentos, sistemas de irrigação e tecnologias de produtividade.
O texto promete diversificar fontes de financiamento pelo mercado de capitais, simplificar o acesso ao crédito e dar condições preferenciais a jovens agricultores, mulheres, cooperativas e associações. Como no programa de Flávio, não há volume orçamentário nem taxas de juros definidas para o próximo mandato.
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Enquanto os dois candidatos prometem crédito rural para 2027, o Plano Safra já em vigor mostra o que o governo atual entrega na prática.
O Plano Safra 2026/2027, lançado em julho, prevê R$ 525,1 bilhões em crédito para a agricultura empresarial. A menor taxa de juros é de 8% ao ano, com teto de 9% para médios produtores.
O Pronamp, programa de apoio ao médio produtor, recebeu R$ 72,6 bilhões, com juros de até 9% ao ano, abaixo do ciclo anterior.
Nem tudo são números positivos: em setembro, a contratação de crédito do Plano Safra caiu 26% e teve o pior início em cinco anos, segundo levantamento do setor.
O que acontece agora
As duas propostas de crédito rural entram num debate mais amplo sobre a economia dos dois candidatos: especialistas já divergem sobre os planos de Flávio e Lula para a economia.
Nenhum dos dois programas detalha valores ou taxas específicas para o Plano Safra do próximo mandato. Esse detalhamento só deve vir depois da eleição, com o novo governo.





























