Os Estados Unidos enviaram 600 soldados e drones MQ-9 Reaper a quatro países da América Latina (Panamá, Colômbia, Honduras e Equador) em ofensiva contra o narcotráfico, revelou o New York Times. O avanço preocupa o Brasil pelo risco de espionagem na fronteira.
Segundo o jornal americano, o contingente vem da 10ª Divisão de Montanha, unidade baseada em Fort Drum, Nova York. No Panamá, 120 militares treinam há duas semanas em um curso de operações na selva.
A cerimônia de formatura reuniu bandeiras dos Estados Unidos e do Panamá. Na Colômbia, o exército americano prepara o exercício batizado de "Southern Vanguard", marcado para o fim de outubro.
Em Honduras, as tropas treinam com as forças locais. A Casa Branca criou ainda uma nova estrutura de comando para o Hemisfério Ocidental, com sede em Miami, além de uma unidade no Pentágono dedicada a cartéis.
O reforço reúne pessoal e equipamento em quatro países em menos de um mês. É um ritmo que a diplomacia brasileira já trata como acelerado.
O que os drones fazem na região
Os drones MQ-9 Reaper que chegaram à Colômbia e ao Equador foram transferidos de bases dos EUA na África. Segundo o governo americano, as aeronaves atuam em operações antidrogas e antiterrorismo na região, sem data prevista para deixar o continente.
O Equador já opera duas aeronaves do tipo, segundo o ministro da Defesa equatoriano, Gian Carlo Loffredo. A Colômbia acordou o recebimento de três unidades, com possibilidade de compra adicional.
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O objetivo declarado é combater o narcotráfico.
Mas o general americano Joseph A. Ryan, citado pelo New York Times, afirmou que os Estados Unidos também buscam "retomar terreno" diante da influência econômica da China na região, disputando o controle marítimo, terrestre e de informação com Pequim.
Por que o Brasil está de olho
O Brasil não recebe os equipamentos nem participa dos exercícios anunciados pelos Estados Unidos, mas monitora a movimentação. Integrantes do governo avaliam que os drones podem cruzar a fronteira com a Colômbia e servir à espionagem.
A diplomacia brasileira mantém a posição histórica de que a América do Sul deve ser preservada como uma "zona de paz", sem presença militar estrangeira permanente.
O presidente Lula já defendeu o respeito à soberania no combate ao crime organizado, em discurso na reunião do G7. O Brasil tem priorizado parcerias com transferência de tecnologia, como os submarinos franceses e os caças suecos Gripen, em vez de equipamento americano.
O que acontece agora
O exercício Southern Vanguard entre Estados Unidos e Colômbia está marcado para o fim de outubro, no mesmo período em que o Brasil decide o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro.
A Colômbia é governada desde agosto pelo presidente de direita Juan Carlos Espriella, aliado declarado de Donald Trump. O Brasil já acompanhou de perto essa guinada: Lula optou por não comparecer à posse do colombiano.
Dias antes do novo envio de tropas, os Estados Unidos também haviam retirado sanções de aliados da Venezuela. É mais um movimento que reconfigura o tabuleiro militar da região.
O próximo marco é o início do exercício Southern Vanguard, na Colômbia, ainda neste mês de outubro.





























