O carioca Felipe Sousa Lazaballet, 40, disputa uma vaga na Câmara da Flórida pelo Distrito 42, em Orlando, nas eleições de 3 de novembro, nos Estados Unidos. Ex-imigrante indocumentado por 15 anos, ele pode virar o primeiro deputado estadual brasileiro da Flórida.
Nascido em Duque de Caxias (RJ), filho de mãe solo e empregada doméstica natural do Ceará, Lazaballet foi levado aos Estados Unidos em 2001, aos 14 anos, pela irmã mais velha, com visto de turista.
Por volta dos 16 anos, soube que o visto vencido o impedia de entrar numa universidade tradicional. Um conhecido da igreja o indicou ao Miami Dade College, que então aceitava imigrantes indocumentados (o colégio não faz mais esse tipo de matrícula).
Formado em Business pela St. Thomas University, ele se naturalizou cidadão americano em 2021, depois de 15 anos em situação irregular.
Desde 2022, ele dirige o Hope CommUnity Center, ONG de apoio a imigrantes fundada por freiras em Orlando. Antes, passou cinco anos no setor de assuntos multiculturais da prefeitura da cidade, sob o prefeito Buddy Dyer.
"Fui inspirado pelo caminho da Anna. Sou um dreamer, tanto no sentido figurado quanto literal", disse Lazaballet, em tradução livre, à Orlando Weekly, referindo-se a Anna Eskamani, democrata que hoje ocupa a cadeira que ele disputa.
Quem é a adversária e como está a disputa
A adversária republicana de Lazaballet é Bonnie Jackson, 63, advogada. A cadeira fica vaga porque a atual titular, Anna Eskamani, filha de imigrantes iranianos, chegou ao limite de mandatos permitido por lei da Flórida.
Não há pesquisa de voto divulgada para o confronto deste ano.
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O Distrito 42 é historicamente democrata: em 2022, Eskamani venceu com 56,6% dos votos contra 43,4% de Jackson, margem de 13,2 pontos. O indicador disponível agora é a arrecadação de campanha, que já passa de US$ 183 mil.
Jackson tem priorizado custo de vida, inteligência artificial e qualidade da água na campanha. Lazaballet defende moradia como direito fundamental, educação pública mais financiada e expansão do Medicaid, plano de saúde público dos EUA para baixa renda.
O cenário é tenso para republicanos: nomes importantes do partido já se distanciam de Trump, pressionados pela alta dos preços de combustível nos Estados Unidos.
A Suprema Corte liberou deportações para terceiros países, decisão que aumenta a tensão para imigrantes como os eleitores do Distrito 42.
O que a candidatura tem a ver com o Brasil
A Flórida é o estado americano com a maior população brasileira, segundo dados do Itamaraty: cerca de 400 mil pessoas, das quais 170 mil estão concentradas no condado de Orange, onde fica Orlando.
A disputa de Lazaballet testa se essa força numérica também se traduz em representação política, algo que a comunidade brasileira nos EUA ainda não tinha conquistado neste ciclo.
O medo do ICE já havia afetado o voto de brasileiros nos EUA na eleição presidencial brasileira deste ano.
Entre os 436 mil beneficiários do DACA, programa que protege da deportação quem chegou aos EUA quando criança, na Flórida, 2.990 são brasileiros, a sétima maior nacionalidade da lista.
Lazaballet integrou essa geração de imigrantes informalmente. Em 2010, participou do Trail of Dreams, caminhada de 1.500 milhas entre Miami e Washington em defesa do DREAM Act, projeto que buscava abrir caminho à legalização de quem chegou ainda criança ao país.
O que acontece agora
A votação na Flórida acontece em 3 de novembro, junto com outras disputas estaduais americanas. Se vencer, Lazaballet assume o mandato em janeiro de 2027 e se torna também o primeiro imigrante abertamente gay a ocupar uma cadeira legislativa no estado.





























