O Rio de Janeiro já registrou mais de 15 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) neste ano, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Os sintomas pioram com calor forte, frio e mudanças bruscas de temperatura, comuns na passagem das estações no estado.

O eletricista de manutenção Carlos Roberto de Souza Gomes é um dos casos. Ele foi internado 10 vezes neste ano e precisou se afastar do trabalho por causa dos problemas respiratórios. A rotina mudou para toda a família.

"Eu estava trabalhando no hospital, só que em abril começou a dar esse problema. Em dezembro eu passei o fim do ano todo no hospital", conta Carlos.

A esposa de Carlos descreve a tensão na rotina da família.

Eu fico sempre vendo o tempo, porque sei que quando o tempo muda, dá crise de alergia, e ele fala: "eu vou morrer, eu vou morrer".

Carlos é atendido no projeto Brasil Sem Alergia, que tem unidade em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O tratamento revelou que ele desenvolveu sinusite, além de asma, e vai precisar passar por cirurgia.

O boletim Infogripe desta semana, da Fiocruz, mostrou aumento nas transmissões por um vírus respiratório específico. Rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2 têm tendência de alta no país, enquanto VSR e influenza B seguem em queda.

O crescimento de casos de VSR já preocupava autoridades de saúde em julho. Hoje, Alagoas, Sergipe e Roraima têm incidência de SRAG em nível de alerta com sinal de crescimento, segundo a Fiocruz.

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Em outros estados, a situação varia. Minas Gerais seguiu com casos graves de gripe em alta mesmo com a SRAG em queda no país, apontou a Fiocruz em julho.

O que muda para quem é do grupo prioritário

A Fiocruz recomenda que grupos prioritários mantenham a vacinação contra a covid-19 em dia e que gestantes se vacinem contra o VSR, o vírus sincicial respiratório. A medida é apontada como fundamental para conter a proliferação dos vírus.

A maior incidência de SRAG está em crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade se concentra em pessoas com 65 anos ou mais, segundo o boletim nacional. Nem todo estado piora: o Paraná registrou queda de 14,6% em síndromes respiratórias graves em julho.