Um prédio histórico da prefeitura de Limoges, na França, foi destruído por incêndio criminoso neste fim de semana, durante a maior onda de protestos a atingir o país em anos. O ato de sábado (17) reuniu mais de 500 mil pessoas contra a inflação.
O saldo do fim de semana: 1 morto, mais de 500 policiais feridos e quase 1.800 detidos em todo o país. Em Bordeaux, cerca de 100 lojas foram saqueadas; em Paris, houve incêndios de lixeiras e carros.
Em Limoges, mascarados incendiaram a prefeitura durante a noite de sábado. O prédio neorrenascentista, erguido em 1883, sobreviveu a duas guerras mundiais e tinha torre de 43 metros de altura.
A testemunha Françoise Faurie, que planejava batizar a neta no local no mês que vem, comparou a cena ao incêndio da Catedral de Notre-Dame, em 2019.
Partiu meu coração. Eu vi Notre-Dame toda de novo, só que desta vez era a nossa cidade.
O prefeito Guillaume Guerin, de centro-direita, disse que a polícia local foi dominada por centenas de manifestantes e reclamou da falta de efetivo para proteger o prédio. O temor fiscal na França já derrubava as bolsas europeias desde o início do mês.
O governo, porém, não recua. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu disse que o Executivo não será "intimidado" pela violência, em meio à tramitação do orçamento de 2027. A promessa vem na mesma semana em que protestos estudantis já somavam quase 2 mil detenções.
A proposta de Lecornu prevê economia de 54 bilhões de euros, dos quais 43 bilhões já em 2027, com corte em saúde e congelamento de pensões.
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A meta é reduzir o déficit a 5% do PIB. A dívida pública já passa de 119% do PIB, com juros no maior nível desde 2008.
É a pior crise social francesa desde os coletes amarelos, movimento que nasceu em 2018 contra um imposto sobre combustíveis. A primeira marcha reuniu 300 mil pessoas, e os protestos duraram seis meses, com cerca de 1,9 mil manifestantes feridos.
A onda atual já se aproxima desses números em um único fim de semana. Economistas já citam a crise francesa como alerta para o Brasil não repetir os mesmos erros fiscais que levaram à revolta na Europa.
O aumento de preços na França também é sentido fora da Europa. A inflação na zona do euro já afeta o bolso do consumidor brasileiro, pelo efeito sobre o câmbio e as commodities importadas.
O que está em jogo
A França tenta equilibrar duas urgências que se chocam: cortar gastos para conter uma dívida de mais de 119% do PIB, sem repetir o desgaste de seis meses de coletes amarelos.
O desfecho do orçamento de 2027 deve dizer qual das duas pesa mais.





























