Relógios e anéis inteligentes da Oura, da Whoop e da Apple passaram a oferecer, em 2026, recursos para tentar identificar sintomas da perimenopausa e da menopausa, mas especialistas dizem que eles não substituem avaliação médica, segundo quem estuda o tema.

A enfermeira americana Tonya Kuxhausen, 55, usa um anel Oura desde 2021. Quando as menstruações ficaram irregulares, perto da menopausa, os alertas do anel passaram a soar menos úteis.

Em maio de 2026, a Oura lançou no aplicativo um questionário de 22 perguntas sobre menopausa. A Apple seguiu em setembro, com um alerta que avisa mulheres de 40 anos ou mais quando o ciclo menstrual começa a variar.

A Whoop, por sua vez, tenta prever quando a mulher deve esperar determinados sintomas.

O que esses recursos medem de fato

O recurso da Apple usa só os dados que a própria mulher registra no aplicativo, não os sensores do relógio. Ele sugere conversar com o médico em até um ano e gera um PDF com o histórico de ciclos dos últimos 12 meses.

A pontuação da Oura soma o questionário às tendências de sono e temperatura registradas pelo anel. Nenhuma das marcas, porém, publicou ensaio clínico validando esses recursos especificamente para perimenopausa ou menopausa.

Por que especialistas pedem cautela

Estágios de sono medidos pelo wearable não equivalem a medir o que acontece no cérebro, segundo Fiona Baker, do SRI International. Mudanças na frequência cardíaca também não dizem se a causa é idade, menopausa ou hábito de vida.

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Os gráficos de estágio do sono são uma imagem bonita, mas não há muito o que fazer com ela.

A frase, em tradução livre, é da psicóloga Kelly Baron, da Universidade de Utah, que estuda sono na perimenopausa. Segundo ela, mais dados de sono podem até ter efeito contrário: algumas pessoas desenvolvem preocupação pouco saudável com os números.

A diretora médica da The Menopause Society, Stephanie Faubion, da Clínica Mayo, usa Oura e Whoop e reconhece valor nos padrões captados. Mas pondera que os sintomas apontados pelos apps podem ter outras causas que precisam de avaliação médica.

Um levantamento independente de 80 aplicativos de menopausa achou avaliação publicada de eficácia em só 4 deles. Apenas dois, batizados Caria e Health & Her, têm evidência clínica de resultados de longo prazo.

Nenhum dos recursos mede pressão arterial de forma confiável, item importante para o risco cardíaco nessa fase da vida. Os relógios inteligentes já são usados para detectar problemas cardíacos, mas com as mesmas ressalvas de validação clínica.

Para as especialistas, os dispositivos servem como ponto de partida para a conversa sobre a menopausa com o médico, não como diagnóstico.